Arquivo mensal: junho 2006

mais que “sexo puro”: a música de suely mesquita

[coluna do zema, dia de são pedro]

Muito mais que sexo, música pura, prazer enfim. Pérolas, na estréia em disco de Suely Mesquita, cantora e compositora carioca, parceira de nomes como Pedro Luís e Zeca Baleiro.

““Sexo Puro” é tudo o que você quiser”. A resposta de Suely Mesquita à pergunta “O que é Sexo Puro?” pode enganar leitores/ouvintes por acaso desavisados acerca de seu trabalho. Não, não se trata de um disco erótico ou coisa parecida. Ou não somente isso. “Sexo Puro”, seu disco de estréia, foi lançado em 2002 e tem, agora, nova tiragem pelo selo Duncan Discos, de Zélia Duncan. Aliás, guardadas as devidas proporções, as amigas vêm de turnês vitoriosas: Suely rodou o Brasil numa das caravanas do Projeto Pixinguinha (não chegou à São Luís, infelizmente); Zélia, o mundo na re-união dos Mutantes.

Quem pensa nunca ter ouvido falar de Suely Mesquita, pode estar enganado: parceira constante de Pedro Luís, já compôs com Zeca Baleiro, Kali C. e Mathilda Kóvak, entre outros, tendo sido gravada por nomes como o próprio Pedro Luís, Patrícia Ahmaral, Ney Matogrosso e, recentemente, participado – como backing vocal – do disco (póstumo) “Cruel”, de Sérgio Sampaio, produzido por Zeca para o seu selo Saravá Discos.

Sobre esta última experiência, ela diz: “O Sérgio eu não conheci pessoalmente, mas admirei muito sua obra desde minha adolescência. Cantar sobre a voz dele nesse disco [o citado “Cruel”] foi muito emocionante. É como se a música fosse um lugar de encontro, onde não importam a distância, o tempo e a morte. Na música, a gente se cruza como numa festa, se aproxima de alguém que não conhece e puxa assunto, descobre afinidades, novos amigos e parceiros. Essa comunicação sem fronteiras é libertadora”.

Suely Mesquita, 45, fez seu primeiro show solo em 1979. Cinco anos depois, começou a dar aulas de canto. Hoje, dedica-se em tempo integral à música – dando aulas, em shows ou compondo – coisa que, aliás, vem fazendo muito bem. Indagada sobre predileção por este ou aquele parceiro – algo como a relação entre Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito – ela responde: “O Lenine diz que existem dois tipos de compositor: o monogâmico e o promíscuo. Sou do segundo tipo. As preferências até existem, mas são momentâneas. O bom mesmo é variar”.

Suas influências são as mais diversas. “Minhas primeiras lembranças de impacto com a música adulta são Elis Regina e Barbra Streisand, discos de minha mãe. Ouvi muita música brasileira a partir da adolescência. Na verdade, o que me puxa para a música são os timbres, quando o artista explora isso e escolhe as sonoridades que mexem comigo, fico refém. Acredito que, embora a gente fique muito marcada pelas coisas que ouvia muito nos anos de formação, as influências conseguem chegar para sempre e o tempo todo. Uma das minhas influências mais recentes e importantes é uma cantora mais nova do que eu: Cássia Eller”, afirma Suely, que ainda cita, entre outros, Ella Fitzgerald, Carole King, Beatles, Bee Gees, Carpenters, Zap Mamma e Take 6.

“Sexo Puro” não deve ser reduzido ao que, erroneamente, o título pode nos levar a pensar: o próprio título, sexo puro ou puro sexo. “Genitalizar” reduz. “É muito mais que isso”, coloca Suely. O batismo do biscoito está na faixa “Samba”. Pergunto: “Sexo é samba? Na hora tem que saber “dançar pra não dançar”? É riso e gargalhada? [como diz a letra da música]”. Ela completa: “Sexo é samba, jazz, rock, e tudo isso é sexo [“Sexo puro”, como o título do disco]. O prazer com qualquer coisa é sexo. Não fui eu que disse isso, Freud lá atrás mudou os pensamentos de todos nós. Meu trabalho fala sempre do prazer e da dor. E a música, o ato de cantar e de criar, me dá muito prazer. Daí o sexo estar presente sempre”.

não veja a veja! vê a revista v!

uma vez, zé patrício neto escreveu assim no orkut, num depoimento sobre este que vos perturba: “zema é desses caras que nos ganham fácil. em meia hora de conversa, em meia dúzia de e-mails é nosso amigo de infância.” agradeço e fico lisonjeado, mas, no fundo, eu me acho um chato. e um triste. mas uma coisa é certa: eu tenho uma facilidade demasiada para acreditar que as pessoas são meus amigos. não sei se isso é bom ou ruim e prefiro seguir acreditando que é bom.

assim sendo, amigos e ídolos, pois, é o que eu mais tenho. e algumas pessoas residem/transitam entre as duas “classes”. e tenho muitos amigos que não conheço (pessoalmente; só por e-mail) e outros que só conheci depois (ou seja, primeiro virtualmente, depois, o amigo de carne-e-osso).

por exemplo: minha amizade virtual de mais idade (a amizade, não a pessoa) é o xico sá, que conheci logo que comecei o estágio no banco do nordeste (e essa história praticamente todo mundo já conhece). xico é amigo. e ídolo. e diz assim, modesto: “deixa disso, rapá! a gente é tudo farinha do mesmo saco…”

bem, deixando o blá-blá-blá de lado, quero atentar para três amigos/ídolos que estão na revista v deste mês:


1. o próprio xico sá, travestido (ops!) de mcbode, ou homem-outdoor, numa matéria sobre o assunto (tudo em nome de um jornalismo original, vivas!);

2. ronaldo bressane, que escreve sobre uma farra com o mito-vivo jaguar, um dos homens do pasquim. rb é editor ou qualquer coisa que o valha da revista que engana quem pensa que se trata de uma publicação voltada exclusivamente para clientes volkswagen: é muito mais que isso, meus caros! tanto é que não desata a falar só de gols (em tempos de copa, nada mais óbvio) e/ou outros modelos da montadora. aliás, a trip, ainda uma das melhores revistas do país, era ainda melhor quando o autor de 10 presídios de bolso era seu sub-editor; e

3. marcelino freire, que entrevista outro mito-vivo, ariano suassuna.

corri olhos, ligeiro, na revista, e por isso não dou mais detalhes. vão atrás! vale a pena, a caneta, a grana…*

2

abaixo, dois textos.

um, meu, resenha de “a timidez do monstro”, livro de poemas do paulo scott com ilustrações do guilherme pilla.

outro, de cesar teixeira, análise lúcida sobre esta onda (já nem tão nova) de batismo de “bois”.

o primeiro foi publicado ontem no diário da manhã, coluna do zema.

o segundo, não sei se chegou a ser publicado em algum lugar. talvez o seja amanhã, na mesma coluna do zema.

em tempo: meu texto para o colunão de ontem (o colunão passa, agora, a ser quinzenal, mais detalhes no blogue de wr, link ao lado) não foi publicado, por motivo de força maior. é sobre “sexo puro”, disco de estréia da cantora carioca suely mesquita. fica para o próximo número, que deve circular dia 9 de julho.

em tempo, e não menos importante: hoje é dia internacional de luta contra a tortura.

– um –

A violência do monstro

Em “A timidez do monstro”, o gaúcho Paulo Scott dilacera. Tendo ou não uma opinião formada sobre “poesia”, (não) é hora de rever seus conceitos (?).

O “cara” passa ligeiro andando de skate. Corre o risco de te atropelar e machucarem-se, os dois, o cara e você – e/ou vice-versa. Raspa e, zum!, passa. “Filho da puta!”, você pensa em dizer/gritar, mas não diz/grita. E não por covardia. Antes que você o consiga fazer, ele se esborracha: nada tão grave, um pouco de sangue aqui e ali. Longe da morte ainda, ele se levanta e vai embora, skate na mão. O que não significa a derrota, o abandono, a desistência. Só uma pausa. E mais rápida do que você pensa.

“A timidez do monstro” (Editora Objetiva, 2005) é isso aí. A poesia de Paulo Scott é isso, essa velocidade toda, toda essa violência. Páginas em preto – não há espaço para páginas em branco na literatura de Elrodris, pseudônimo do poeta-skatista – parecem esconder o monstro tímido do título. Ou economizar mais violência, uma ou outra ilustração de Guilherme Pilla a menos, no “violento” projeto gráfico.

Sobre o autor, a advertência do poeta Fabrício Carpinejar é certeira – e por que não dizer?, violenta: “Scott não veio para brincar, satisfazer egos, brindar com espumantes. É um profeta, paranoicamente criativo como um profeta, com estratégias militares de um profeta. Não peça que leia sua mão, ele vai cortá-la”.

O monstro – o próprio autor? – no escuro, o poema “Luz” diz assim:

lambe
lambe
é aqui

Certeiro, não? Certeiro também em batismos, “Padre” Scott já publicou “Histórias curtas para domesticar as paixões dos anjos e atenuar os sofrimentos dos monstros” – seriam os monstros uma obsessão? – sob o citado pseudônimo, antes, e na última bienal do livro em São Paulo botou “Senhor Escuridão” na praça. (uma praça escura? Nunca é demais perguntar, a escuridão, outra obsessão).

Querem mais e estão tímidos, com medo do monstro e com medo de pedir? Tomem:

avião decola e se inclina em direção ao Uruguai
estendo a ponta do canivete contra a janela
rasgo Porto Alegre ao meio

Acima, “Pão com osso duro”; sobre o skate, lá em cima, “Skate”, abaixo:

rápido, só enxergo vogais
quando tento sorrir
o pescoço dá um rabo
de azulejos quebrados

Num P. S. (post scriptum), poderia dizer: ninguém fica im(p)une à poesia de P.S. (Paulo Scott).

– dois –

A política do couro de boi e a beatificação de Sarney

por Cesar Teixeira*

Em meados de junho a TV Mirante exibiu cenas do batizado do Boi de Axixá na Igreja da Sé, onde a madrinha Roseana exalta a devoção dos maranhenses aos santos padroeiros “homenageados no próprio couro do boi”. Surge então a imagem do boi dançando. Junto com São João Batista, no couro bordado em miçanga e canutilho, está José Sarney à sombra da bandeira do Estado.

O boi de Francisco Naiva é um dos raros no sotaque de orquestra que conseguiram manter a beleza coreográfica, rítmica e melódica originais do folguedo, além de priorizar os brincantes da comunidade de Axixá. Porém, é doloroso ver mais uma vez o patrimônio cultural do povo maranhense ser utilizado como outdoor de interesses políticos ou disfarçada moeda de troca.

Ninguém é proibido de receber ou prestar homenagens, batizar ou prover brincadeiras juninas e carnavalescas, como tem se dado ao longo dos anos. Tal prática, no entanto, se torna intolerável quando as lantejoulas políticas ofuscam o brilho da festa, sobretudo em tempo de campanha eleitoral.

Pode-se enxergar no couro do boi a cangalha onde, ao reverenciar o amo por admiração ou visando alguma graça, os personagens reais colocam o seu pescoço. Nele já se insinua a publicidade feita por Sarney em torno de sua autobeatificação, patente no caso do Convento das Mercês, onde pretende sepultar-se no jazigo ali construído.

“Trata-se do meu mausoléu, que as pessoas irão visitar em peregrinação”, disse o senador em entrevista de rádio reproduzida pela sua emissora de TV em novembro do ano passado, onde condenava a aprovação da lei que devolvia o convento ao Estado, inviabilizando o seu enterro.

Crendo-se imortal, por pertencer à Academia Brasileira de Letras, talvez considere justo candidatar-se a padroeiro. Mas o Congresso das Alturas é bem diferente daquele de Brasília. A julgar pela lista de maldades que cometeu na terra, no mínimo terá suas orelhas puxadas em Plenário e será obrigado a pular fogueira perpétua só pela saliência. Não terá votos nem ex-votos.

Essa obsessão de se tornar santo – que poderia ser caso de psiquiatria ou exorcismo – se ajusta melhor no campo da esperteza política, e também revela o maniqueísmo da classe burguesa ao transfigurar símbolos culturais para a afirmação de uma hierarquia social. A malversação da estética popular, em prol de uma ideologia reacionária, atinge agora o jardim-suspenso da sacralização.

As obras públicas, com ou sem fachadas, há muito têm servido de couro de boi, ou outdoor, para os rajados da família Sarney, que abusam desse artifício como merchandising político sem gastar um tostão do bolso. Essa doença hereditária contagia órgãos estaduais e municipais, craques em utilizar o dinheiro da população como se fosse de sua propriedade.

Por ser inconstitucional e antiética, tal prática já deveria ter sido punida com rigor por vias judiciais e administrativas, obrigando seus autores a indenizar a sociedade, depois de terem seus nomes retirados de tribunais, pontes, escolas, avenidas, ruas, creches, hospitais, rodoviárias, favelas, etc., da capital e do interior do Maranhão (sem falar de outros estados).

Após 40 anos contribuindo para o agravamento das desgraças sociais do Maranhão, a propaganda da oligarquia Sarney beira à crueldade, sobretudo quando passa a desvirtuar a história, através do estelionato político. O currículo mais superficial do senador pelo Amapá bastaria para bani-lo para sempre dos palácios, ou do mais humilde casebre de taipa e palha.

Sarney foi aluno de Vitorino Freire, um dos políticos mais ladinos do País. Superou o mestre, passando-lhe a perna. Mentiu aos camponeses quando em 1965 candidatou-se ao governo do Estado, sendo muitos deles mortos, exilados e torturados pelo regime militar, de quem o senador foi aliado. Para preservar o status político, quando a ditadura expirava, virou encosto de Tancredo. Entrou pela janela e saiu pelos fundos do Palácio do Planalto, depois beijou a mão de Collor, Itamar, FHC, Lula…

Mas continua perseguindo sem dó seus adversários, inclusive os que pertenceram ou estão sendo descartados do seu grupo parafolclórico.

A dinastia Sarney não seria inteligente ao utilizar a cultura popular como mídia política em prejuízo de quem a produz, fazendo crer o contrário, além de chamuscar a alma de muitos artistas no fogo das vaidades? Bobagem. Trata-se de um artifício medieval hoje digitalizado pela academia marqueteira. Não tem nada de novo, é pura esperteza!

Foi assim que a sorridente madrinha do Boi de Axixá completou a obra do pai em oito anos de governo, condenando o Maranhão à indigência. A oligarquia transformou o Estado num imenso outdoor da miséria, num couro de boi onde Catirina prega as miçangas da fome depois de provar o fel de outra língua de mentira – a língua de Sarney.

*Jornalista e compositor

santa ignorância apresenta “a morte do boi desmiolado”

[de release recebido por e-mail]

o grupo teatral santa ignorância – cia de artes apresenta “a morte do boi desmiolado” na praça maria aragão, neste sábado, às 19 horas. com texto e roteiro musical de cesar teixeira, a peça é uma recriação do tradicional auto do bumba-meu-boi, onde, através do humor e da irreverência dos personagens, são enfocados os conflitos sociais vividos numa fazenda do maranhão.

formado por rosa ewerton, césar boaes, erivelto viana e lauande aires, o próprio elenco da companhia idealizou os figurinos e dirigiu o espetáculo, que conta ainda com as participações especiais de urias de oliveira, na confecção dos adereços, e do músico chileno francisco jara, responsável pela coordenação musical.

essa montagem tem sido um raro prazer, não só pela riqueza e graça dos personagens, mas também pela sua importância simbólica no contexto social. tivemos de nos superar com apenas quatro atores, quando a peça exige mais de vinte, incluindo músicos. a solução cênica foi preservar as figuras principais e fazer o revezamento de papéis e fantasias. creio que todos vão gostar”, explica rosa ewerton.

os atores também cantam e tocam alguns instrumentos durante o espetáculo, embora parte da trilha sonora tenha sido gravada em cd. segundo a atriz, “a morte do boi desmiolado” será reapresentada após os festejos juninos nos teatros da cidade e, se o grupo conseguir patrocinadores, deverá percorrer alguns terreiros do país.

cesar teixeira, autor da comédia, avisa aos amantes das brincadeiras juninas e do teatro popular: “esse boi não é batizado e nunca será. não pode ter madrinha, nem padrinho. vai continuar desmiolado e pagão”.

[devido a problemas de natureza política, o compositor não tem se apresentado ultimamente nos arraiais de são luís]

santa ignorância apresenta "a morte do boi desmiolado"

[de release recebido por e-mail]

o grupo teatral santa ignorância – cia de artes apresenta “a morte do boi desmiolado” na praça maria aragão, neste sábado, às 19 horas. com texto e roteiro musical de cesar teixeira, a peça é uma recriação do tradicional auto do bumba-meu-boi, onde, através do humor e da irreverência dos personagens, são enfocados os conflitos sociais vividos numa fazenda do maranhão.

formado por rosa ewerton, césar boaes, erivelto viana e lauande aires, o próprio elenco da companhia idealizou os figurinos e dirigiu o espetáculo, que conta ainda com as participações especiais de urias de oliveira, na confecção dos adereços, e do músico chileno francisco jara, responsável pela coordenação musical.

essa montagem tem sido um raro prazer, não só pela riqueza e graça dos personagens, mas também pela sua importância simbólica no contexto social. tivemos de nos superar com apenas quatro atores, quando a peça exige mais de vinte, incluindo músicos. a solução cênica foi preservar as figuras principais e fazer o revezamento de papéis e fantasias. creio que todos vão gostar”, explica rosa ewerton.

os atores também cantam e tocam alguns instrumentos durante o espetáculo, embora parte da trilha sonora tenha sido gravada em cd. segundo a atriz, “a morte do boi desmiolado” será reapresentada após os festejos juninos nos teatros da cidade e, se o grupo conseguir patrocinadores, deverá percorrer alguns terreiros do país.

cesar teixeira, autor da comédia, avisa aos amantes das brincadeiras juninas e do teatro popular: “esse boi não é batizado e nunca será. não pode ter madrinha, nem padrinho. vai continuar desmiolado e pagão”.

[devido a problemas de natureza política, o compositor não tem se apresentado ultimamente nos arraiais de são luís]

são joão, literatura e crítica

[coluna do zema de hoje, no diário da manhã]

“A morte do boi desmiolado” será encenada sábado na Praça Maria Aragão; dissertação de mestrado discute a produção literária brasileira contemporânea. E a coluna está aberta a críticas. Faça a sua!

A morte do boi desmiolado

Este é o título do espetáculo junino que o Grupo Teatral Santa Ignorância apresenta neste sábado, 24 de junho, dia de São João, às 19h, na Praça Maria Aragão. O texto, de autoria do jornalista e compositor Cesar Teixeira, recria o tradicional auto do bumba-meu-boi com humor e irreverência tecendo críticas às contradições sociais vividas na zona rural do Maranhão.

A direção e os figurinos do espetáculo são assinados pelos próprios atores da Companhia Teatral, cujos integrantes são Rosa Ewerton, César Boaes, Erivelto Viana e Lauande Aires. Os adereços foram confeccionados pelo ator Urias de Oliveira. As músicas originais da trilha sonora do espetáculo também são de autoria de Cesar Teixeira, sob a regência do músico chileno Francisco Jara.

Maiores informações com Rosa Ewerton, pelos telefones (98) 3222-8990 ou 8813-0222.

Inferno pós-moderno

“O inferno é um mundo sem livros”. A frase, de Joca Reiners Terron, parece ser verdadeira aos que se negam a olhar um pouco ao redor de seus próprios umbigos e mentes “brilhantes”. Uma das grandes desculpas usadas pela maioria das pessoas que não tem o costume de ler é a falta de tempo. Outra desculpa – esfarrapada – é a velha comparação entre o antigamente e o atualmente: hoje já não se fazem livros e escritores como ontem. Balela.

No próximo dia 3 de junho, às 10h30min, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Adriano Quadrado defenderá a dissertação de mestrado intitulada “Inferno Pós-Moderno – Marcas da Contemporaneidade em Hotel Hell e outras obras da geração 90”, onde analisa as obras do autor da frase que abre esta nota e outros contemporâneos.

Aos interessados, é possível ler e baixar as quase duzentas páginas do texto no endereço http://www.quadrado.com/MESTRADO_Adriano_Quadrado.pdf

Aos fãs do autor de “Hotel Hell”, um presente: o primeiro capítulo do romance – inédito – “A solidão segundo o astronauta”, que Joca deverá publicar ano que vem.

Críticas, interatividade

Sou sabedor de que não existe um “dono da verdade”. Por mais que por aí, muita gente se coloque como tal. Sei também, que todo ser humano é passível de erros. Como ser humano, não fujo à regra.

A Coluna do Zema – outrora Diário Cultural – está aberta a todo tipo de intervenção por parte de seus leitores, através dos canais de diálogo disponibilizados desde sempre: o correio eletrônico (e-mail) do colunista e seu blogue, onde esta coluna é sempre transcrita no espaço virtual.

Sugira, critique, discorde, retruque e, até mesmo, elogie. O verbo é participar! Qualquer pessoa que faça uso de um espaço para sua escrita, tem que, antes, ler. E qualquer leitor deve estar apto a criticar aquilo que lê. Resumindo ao campo de nossa prática diária, acreditamos: só assim se fará um jornalismo melhor no Maranhão e no Brasil. Os endereços estão aí, esperando suas valiosas contribuições para que façamos este espaço melhorar a cada dia.

sobre notas em jornais

sou sabedor de que “de boas intenções, o inferno está cheio“. mas quando escrevo para um jornal (ou para um/a jornalista) é sempre com a melhor das intenções. doa a quem doer.

nota na coluna “conversa franca“, de aquiles emir, no jornal pequeno do dia 20 de junho, dizia: “zico telefona para parreira e pergunta: dá para o brasil, já classificado, aliviar para o japão?; e parreira: tá bom, vou escalar os reservas, mas zico se desespera: não, mantenha os titulares![minúsculas por minha conta]

e-mail enviado por este estudante de jornalismo ao jornalista titular da coluna, dizia, sob o título “chatice zêmica hodierna“: “aquiles: sobre a notinha que trata de um telefonema trocado entre zico e parreira, pergunto: é verídico o telefonema? se não, trata-se de uma “piada”, e o leitor deveria ser avisado disso, para que o mesmo não confunda isso com a prática jornalística diária.[novamente, minúsculas por minha conta; transcrevo apenas trecho do e-mail, que era endereçado a outra jornalista com quem já “discuti” anteriormente; tratava de uma crítica a algo que me desagradava na coluna dela de ontem]

gente, isso pode até ser chato, mas na qualidade de leitor, em tempos de interatividade, acho justo o alerta. aquiles demonstra ter gostado da atenção e, hoje, a primeira nota da seção “francamente“, dentro de sua coluna, trazia: “a coluna aceita a crítica de zema ribeiro sobre a falta de advertência de que a nota sobre o telefonema de zico para parreira era uma piada, pois, como ele muito bem observa, o leitor poderia ser levado a confundir a informação como uma verdade[minúsculas idem, ibidem]

para não dizerem que não é verdade a minha fala inicial (sobre boas intenções e coisa e tal), parabenizo aqui, publicamente, o aquiles, por aceitar, com humildade, a crítica deste também humilde estudante de jornalismo. não, meus caros, isso não é babação de ovo ou coisa parecida.

a jornalista de que falo acima, sobre a crítica tecida ao texto dela de ontem, responde-me assim [novamente, transcrevo apenas trecho do e-mail]: “quando você ia com o milho, euzinha já vinha com a pipoca“.

debate, internet e copa do mundo

[coluna do zema de hoje]

TVs e rádios comunitárias na pauta da Agência Câmara de Notícias: (de)bate-papo hoje, às 15h. Reuben é o novo colunista do site Clara on-line. E mais Copa do Mundo.

Agência Câmara promove debate sobre rádios e tvs comunitárias

A Agência Câmara de Notícias, promove hoje, às 15h, um bate-papo com o Deputado Fernando Ferro (PT-PE), sobre tvs e rádios comunitárias. O deputado é autor de diversos projetos de lei sobre os temas. “Em um País como o nosso, onde há uma grande concentração da comunicação em empresas, a comunicação comunitária é extremamente importante sob o aspecto da democracia”, afirma.

Para participar do bate-papo, os interessados devem acessar o endereço eletrônico http://www.agencia.camara.gov.br e clicar no ícone do chat.

Navegar é preciso!

“Os óculos de Kafka”. Este é o título do texto de Reuben, que assumiu o posto de colunista do site Clara On-line e escreverá por lá quinzenalmente, às sextas-feiras.

Um trecho do “cabra”:

“Foi assim que aprendi a ler, procurando sempre por símbolos e alegorias. Sem fazer distinção entre uma notícia de jornal e um videoclipe. A tudo chamando texto.

É certo que desta forma corro o risco de acabar vendo todas as coisas como ficção, deformando assim meu, digamos, senso de realidade. Mas não posso pedir desculpas por algo que me tem sido tão natural desde que conheci um escritor tcheco de nome Franz Kafka.”

Para mais, acessem o site.

Brasil na Copa

Ok, ok: o Brasil mostrou um futebol melhorzinho (apenas isso), venceu a Austrália por dois gols de diferença (só isso?!) e classificou-se na segunda rodada para a próxima fase da Copa do Mundo (não está fazendo mais que a obrigação, certo?). E ganhou as páginas da imprensa local e nacional (um dedo de culpa para os que a fazem, pois). Mas não passa disso: a seleção brasileira, o melhor time do mundo, essa constelação de craques, ainda está muito abaixo do que se pode esperar de um time com todos os adjetivos desfilados até agora – aqui ou noutro espaço. Que venha o Japão!

jabá, cinema, música e debate

a seleção brasileira deu uma melhora(dinh)a. não apenas pelo gol a mais marcado. os palpites seguem nas caixas de comentários. agora, a coluna do zema de ontem.

Projeto de Lei que criminaliza o jabá pode ser aprovado até o fim do ano; Banco do Nordeste entrega Prêmio BNB de Cinema no encerramento do 29º. Festival Guarnicê; Banda Nova Vida faz duas apresentações em clima de São João; e Projeto Prática & Diálogo terá sua primeira edição na próxima quarta-feira, discutindo “corrupção”. Confira agora na Coluna do Zema.

Prática de jabá será criminalizada

Prática prejudicial à cultura (musical) brasileira, o jabá pode estar com seus dias contados. O famoso esquema onde se paga pela execução de músicas de determinados artistas – sempre ligados a grandes gravadoras – pode ser criminalizado até o fim do ano, com a aprovação de projeto de lei que tramita no Congresso desde 2003.

A criminalização da prática é algo de artigo de Carlos Gustavo Yoda (“Jabá deixa de ser tabu e projeto criminaliza prática em rádio e TV”) na Agência Carta Maior.

O jabá diminui a possibilidade de opção do público ouvinte, que acaba ouvindo o que é do interesse de grandes grupos midiáticos, que selecionam o que irá “fazer sucesso” através de um “acordo comercial”, apelido infame dado ao jabá – jabaculê ou caititu para os mais antigos.

O referido projeto de lei atende ao anseio da classe artística – músicos, produtores e agentes da sociedade civil –, representado principalmente pelo Movimento Pelo Fim do Jabá (JABÁSTA). Para saber mais, acesse: http://movimentopelofimdojaba.blogspot.com

Prêmio BNB de cinema

Amanhã, dia 19/6, encerra-se o 29º. Festival Guarnicê de Cine-Vídeo. Na ocasião, às 19h30min, no Teatro Arthur Azevedo, será entregue o Prêmio BNB de Cinema, que contemplará as duas categorias selecionadas pelo júri oficial do festival: o melhor curta-metragem em cinema receberá R$ 10 mil e o melhor vídeo, R$ 5 mil.

A premiação é realizada nos principais eventos em estados da região nordestina, buscando consolidar e incentivar a produção audiovisual na área de atuação do Banco do Nordeste. Além do prêmio em dinheiro, os vencedores de cada categoria recebem um troféu confeccionado pelo escultor Erickson Britto, consultor da Superintendência de Comunicação e Cultura do BNB.

Banda Nova Vida em clima de São João

A Banda Nova Vida realiza dois show este mês, a saber: dia 20, na festa de São João do Hospital Nina Rodrigues, e dia 21, às 18h, na Casa do Maranhão (Praia Grande). As apresentações trarão o clima dos festejos juninos, com repertório escolhido para convidar o público a dançar.

Os shows fazem parte das atividades do Projeto Banda Nova Vida, que ensina teoria e prática musical a usuários de psiquiatria do Hospital Nina Rodrigues. O projeto conta com o patrocínio da Petrobras através da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.

A banda fará, até o fim do ano, 12 apresentações, sendo a última em outubro, em praça pública.

Prática e diálogo

“Corrupção no Estado e suas conseqüências para o desenvolvimento”. Este é o primeiro tema a ser debatido pelo Projeto Prática & Diálogo, realizado pelo Instituto Territorium e Fundação Konrad Adenauer, em parceria com diversas outras entidades da sociedade civil. A apresentação/moderação fica a cargo da jornalista Cristiane Moraes e o convidado/debatedor é o professor e advogado Dimas Salustiano.Na ocasião, será lançado o livro “Guia da cidadania para a transparência: prevenção contra a corrupção”, de Alberto Teixeira. E mais informações a coluna dará em breve.

Música

[Coluna do Zema de ontem]

A Coluna do Zema a(i)nda em clima de copa do mundo. Música, sexta-feira, no Armazém da Estrela. Breve comentário sobre o novo disco de Chico Buarque. E a relação D2-Ronaldo. Que o Brasil melhore na competição!

Hilton Assunção no Armazém da Estrela

Hilton Assunção, violonista maranhense radicado no Rio de Janeiro, fará show nesta sexta-feira, dia 16, às 22h, no salão de eventos do Armazém da Estrela. De férias na terra natal, o músico será acompanhado por sua esposa, Ana Luiza, ao piano. No repertório, clássicos da música brasileira e clássica internacional, dos repertórios de Tom Jobim, Pixinguinha, Villa Lobos e Bach, entre outros. O couvert artístico custa R$ 12,00. Reservas e maiores informações pelo telefone (98) 3231-7431.

Uma ligeira impressão de “Carioca”

A crítica está dividida entre gostar e não gostar – ou ainda gostar “mais ou menos” – do novo disco de Chico Buarque, “Carioca” (Biscoito Fino, 2006). Algo natural. É de se esperar que do autor de clássicos da música brasileira – “A Banda”, “Quem Te Viu, Quem Te Vê”, “Apesar de Você”, “Construção” e “O Meu Guri”, entre inúmeros outros – surjam novos “clássicos” a cada disco. Mas Chico já não tem – e nem deve, mesmo – essa obrigação. Dividido entre a música e a literatura, não precisa cumprir prazos, contratos e outras chatices impostas pela burocracia deste mundo veloz. Curte a vida entre o futebol, alguns drinks e a serenidade, típica. Chico Buarque já provou que é muito mais que um “belo homem de olhos verdes oriundo de família intelectual”. Não esperem – fãs, críticos – que Chico vá, quarenta anos depois, escrever “A Banda” novamente. “Carioca” é um belo disco, sem dúvidas. Algo a altura da genialidade de Chico.

Marcelo D2 e Ronaldo

A nova tiragem de “Meu Samba É Assim”, novo disco de Marcelo D2, que chega às lojas, traz uma faixa bônus, em homenagem ao jogador Ronaldo. D2 é dos artistas brasileiros que mais “evoluíram”, se é que assim se pode falar, na música brasileira produzida recentemente. Prova disso é ouvir e comparar seus primeiros trabalhos solos ao bem sucedido Acústico MTV (2004). Já Ronaldo, a julgar pela atuação que teve na estréia brasileira na Copa, caminha, no futebol, no sentido oposto ao tomado por D2 na música. Algo talvez natural. Espero, sinceramente, que o Brasil faça valer as expectativas – não só dos brasileiros, mas mundiais – e que a homenagem de D2 a Ronaldo, “fenômeno”, tenha sido merecida.

Coluna do Zema

Em época de Copa, todo mundo

Lançamento de livro, reunião do Fórum Municipal de Cultura, relançamento de disco e, como não poderia deixar de ser, copa do mundo. Pare o mundo que eu quero ver a copa do mundo.

Livro

Amanhã, dia 14/6, às 8h30min, no Circo Escola do Anel Viário, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) lança o livro “Observatório Criança: acompanhando a situação dos direitos da criança e do adolescente no Maranhão, vol. II – Crianças e Adolescentes em Situação de Rua no Município de São Luís: Nuances e Interfaces do Trabalho Infantil e da Violência Doméstica”. Trata-se da continuidade da sistematização dos trabalhos desenvolvidos pelo conselho. Para maiores informações: (98) 3214-1073, 3214-1088, cmdcasaoluis@ig.com.br

FMC

No mesmo dia, às 19h, o Fórum Municipal de Cultura organiza uma reunião para discutir as Oficinas de Culturas Populares da Região Nordeste, que iniciará o processo preparatório da delegação maranhense que participará do II Seminário Nacional de Políticas Públicas para as Culturas Populares, a ser realizado, este ano, entre os dias 14 e 17 de setembro, em Brasília/DF.
A reunião acontece no Auditório Rosa Mochel, no Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho e terá as presenças de Tarciana Portella (Chefe da Representação Regional do Nordeste do Ministério da Cultura) e Américo Córdula (Gerente da Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural do MinC).

Kuarup relança Hélio Contreiras

A Kuarup Discos relançará, em breve, o disco “Esturro da Onça”, do compositor Hélio Contreiras, autor de sucessos na voz de Xangai, o mais conhecido deles “Estampas Eucalol”. Ainda não há data marcada para o disco chegar novamente ao mercado, mas trata-se certamente de um “clássico” da música brasileira, com participações especiais de Jatobá e Elomar, entre outros, além do próprio Xangai – de quem recentemente, a Kuarup recolocou três títulos no mercado.

“Pare o mundo que eu quero descer”

A frase acima batizava um disco de Silvio Brito lançado em 1976. Tornou-se popular com a “resposta” dada pelo compositor baiano Raul Seixas em “Eu Também Vou Reclamar” e bem poderia ser atendida agora. Não dá outra: o mundo para enquanto a bola rola. E todo mundo só fala na copa do mundo. Nem este colunista resistiu e escreveu aqui sobre o assunto, domingo passado. Um giro em revistas, jornais, tevês, rádios, blogues e o mais: só dá copa do mundo. Você já deu seu pitaco para a estréia brasileira hoje?

dilema, decisão e preferência masculina

como já anunciado aqui, o colunão está “temporariamente suspenso”. como todo mundo tá falando de copa do mundo, não resisti, e cometi o fraquinho [fraquíssimo, eu diria] texto abaixo. e minha coluna no diário da manhã de ontem saiu assim, “coluna do zema“, com uma foto minha, risos.

O dilema masculino em plena época de Copa do Mundo: o futebol ou ela? Às vésperas do dia dos namorados, o “ópio” toma conta das mentes e corações dos brasileiros. Por pelo menos um mês, acreditamos – e seguimos à risca – o ensinamento cristão de que “somos todos irmãos”.

“O colunista está assistindo a algum jogo da Copa do Mundo” ou “O colunista foi ao comércio – a esta altura um verdadeiro inferno – comprar o presente da namorada”. Estes bem poderiam ser “avisos” ou “justificativas” que o leitor encontraria aqui, neste domingo, véspera de dia dos namorados, Copa do Mundo rolando, ruas tomadas de verde e amarelo, datas eminentemente comerciais.

Ou talvez por isso, não. O colunista tentaria ser original e mudar de assunto, já que todo mundo só fala disso: “onde você vai ver o jogo do Brasil?”, “onde é que vamos comemorar/bebemorar?”, “já decidiu o que comprar?”, “já comprou o presente da namorada?” etc., etc., etc. Em vez disso, segue o curso e o discurso comum e se faz/refaz, e faz aos leitores a mesma pergunta.

E como conciliar namoro com Copa do Mundo? Ela detesta futebol e não entende como é que um homem pode se devotar a outros – com os bolsos cheios de dinheiro, vida ganha, e você, com a vida por ganhar – correndo atrás de uma bola, ô coisinha idiota. Ela, no fundo certa, sempre certa.

Mas o ópio do povo acontece de quatro em quatro anos e você “passou uma vida” esperando por isso. As ruas ganham bandeirinhas verdes e amarelas que se unem ao azul e branco do céu e parecem anunciar o hexacampeonato. “Eu te amo, meu Brasil, eu te amo!”, “Eu te amo, meu Amor, eu te amo!”.

Arrebenta, Brasil! Entre feijoadas, churrascos e cervejas, por vezes nem lembramos detalhes dos jogos: o importante é saber o placar final – às vezes nem isso, a depender do grau etílico – e comemorar mais uma vitória. Arrebenta, coração! Aqui, a memória precisa funcionar melhor – independentemente do etilírico grau e/ou tempo do que quer que seja, namoro, casamento: experimente esquecer uma data festiva, um aniversário… aí, quem se arrebenta é você.

É hora de esquecer os problemas, ao menos enquanto o Brasil pinta na tela de tantas outras (eternas) ilusões. É hora de criar um novo problema – será?: “eu ou o futebol?!”, beicinho, caras, bocas e decotes provocadores, ela, irresistível, “claro que é você, meu amor!”. Indiscutivelmente.

Independentemente dos prognósticos futebolísticos, aposte sempre no amor. Quem ganha é você. Sempre. Aí é correr pro abraço, pro beijo e pro mais, muito mais, todo o mais…

“os presentes” + diário cultural (de hoje)

[tentei postar isso aqui ontem]

tomei conhecimento de kléber albuquerque quando este cantor e compositor paulista dividiu o palco com o maranhense joãozinho ribeiro, em idos de agosto de dois mil e quatro, sobre o que escrevi aqui. ouvi seu ótimo “o centro está em todas as partes” e gostei bastante.

ele acaba de lançar seu quinto disco, que se (ainda) não recomendo aqui, é só por não ter escutado (ainda).

pois bem: o dia dos namorados se aproxima. e aqui vão

os presentes

que presentes te daria?
uma estrela vã do firmamento
pra iluminar o vão do pensamento

uma tevê na garantia
árvores plantadas no cimento
e meu perfume na rosa-dos-ventos

um novo ritmo da bahia
cartas de amor com frente e verso
e meu percurso nesse universo

nas horas sem fim
em que a dor não tem mais cabimento
é no teu prumo que eu me oriento

catedrais de alvenaria
senhas pra não mais perder a vez
casa, comida e um milhão por mês

bonito, não? dispensável pergunta, não? abaixo, o diário cultural de hoje (o não-publicado ontem, com atraso; o que eu tentei postar ontem foi só a letra da música de kléber albuquerque)

Arraial, festival e o Maranhão lá fora

Arraial do SESI terá bumba-bois, forró pé de serra e concurso para eleição de casal caipira; Festival apresenta oito bandas locais; a turma d‘As Três Marias apresenta espetáculo no Rio e Anna Torres divulga obra de João do Vale na França.

Um arraial industrial

O Serviço Social da Indústria (SESI), em que, numa de suas unidades escolares, tive a honra de cursar – à época – primário e ginásio, convida os leitores do Diário Cultural para o seu arraial junino. Com o lema “O Arraial de Todos os Sotaques” a festa está marcada para o dia 14 de junho, às 19h, no SESI Clube Araçagy, e terá como atrações os bois de Morros e Nina Rodrigues, o forró pé de serra com Nunes do Acordeom e o concurso Casal Caipira da Indústria. Interessados podem se inscrever na hora. A produção não informou o valor dos ingressos. Maiores informações podem ser obtidas pelo telefone (98) 3212-1859.

Maranhenses agitam o Rio de Janeiro

A Turma d’As Três Marias – grupo de maranhenses que trabalha a pesquisa de folguedos populares no Rio de Janeiro – estréia, dia 9, o espetáculo “Balaio de Saias”, que fica em cartaz até o dia 11, no Teatro Cacilda Becker. Os ingressos custam R$ 10,00 (estudante com carteira paga metade). Maiores informações podem ser obtidas pelo e-mail as3marias_producao@yahoo.com.br e/ou pelo telefone (21) 9653-5657, com Alina Braga.

Mais Maranhão lá fora

Outra conterrânea que está fazendo sucesso lá fora é Anna Torres, que na França tem divulgado a obra do maranhense do século, ele, o pedreirense João do Vale, autor de clássicos como “Carcará” e “Pisa na Fulo”, registrados por ela em seu disco mais recente, “O Canto da Anna”, uma clara alusão a“O Canto da Ema”, outro “clássico” daquele importante compositor, que há dez anos falecia sem o devido reconhecimento, apesar das amizades de nomes como Chico Buarque, Alcione e Maria Bethânia.

Construção coletiva

Nove bandas se apresentarão no Festival “Construção Coletiva”, na próxima quarta-feira, 14 de junho, a partir das 19h, no Bar do Nelson (Av. Litorânea). Com ingressos a preços populares – apenas R$ 3,00 – estão escaladas RM8, Amnon, Soul Trybal, No Osso, Pinhead, 5ª. Potência, Chaparral, Soturnos e 3 Reis Magros (aqui seguindo a ordem apresentada no cartaz recebido por e-mail, pela coluna). As bandas, de São Luís, mostrarão sua produção autoral.

"os presentes" + diário cultural (de hoje)

[tentei postar isso aqui ontem]

tomei conhecimento de kléber albuquerque quando este cantor e compositor paulista dividiu o palco com o maranhense joãozinho ribeiro, em idos de agosto de dois mil e quatro, sobre o que escrevi aqui. ouvi seu ótimo “o centro está em todas as partes” e gostei bastante.

ele acaba de lançar seu quinto disco, que se (ainda) não recomendo aqui, é só por não ter escutado (ainda).

pois bem: o dia dos namorados se aproxima. e aqui vão

os presentes

que presentes te daria?
uma estrela vã do firmamento
pra iluminar o vão do pensamento

uma tevê na garantia
árvores plantadas no cimento
e meu perfume na rosa-dos-ventos

um novo ritmo da bahia
cartas de amor com frente e verso
e meu percurso nesse universo

nas horas sem fim
em que a dor não tem mais cabimento
é no teu prumo que eu me oriento

catedrais de alvenaria
senhas pra não mais perder a vez
casa, comida e um milhão por mês

bonito, não? dispensável pergunta, não? abaixo, o diário cultural de hoje (o não-publicado ontem, com atraso; o que eu tentei postar ontem foi só a letra da música de kléber albuquerque)

Arraial, festival e o Maranhão lá fora

Arraial do SESI terá bumba-bois, forró pé de serra e concurso para eleição de casal caipira; Festival apresenta oito bandas locais; a turma d‘As Três Marias apresenta espetáculo no Rio e Anna Torres divulga obra de João do Vale na França.

Um arraial industrial

O Serviço Social da Indústria (SESI), em que, numa de suas unidades escolares, tive a honra de cursar – à época – primário e ginásio, convida os leitores do Diário Cultural para o seu arraial junino. Com o lema “O Arraial de Todos os Sotaques” a festa está marcada para o dia 14 de junho, às 19h, no SESI Clube Araçagy, e terá como atrações os bois de Morros e Nina Rodrigues, o forró pé de serra com Nunes do Acordeom e o concurso Casal Caipira da Indústria. Interessados podem se inscrever na hora. A produção não informou o valor dos ingressos. Maiores informações podem ser obtidas pelo telefone (98) 3212-1859.

Maranhenses agitam o Rio de Janeiro

A Turma d’As Três Marias – grupo de maranhenses que trabalha a pesquisa de folguedos populares no Rio de Janeiro – estréia, dia 9, o espetáculo “Balaio de Saias”, que fica em cartaz até o dia 11, no Teatro Cacilda Becker. Os ingressos custam R$ 10,00 (estudante com carteira paga metade). Maiores informações podem ser obtidas pelo e-mail as3marias_producao@yahoo.com.br e/ou pelo telefone (21) 9653-5657, com Alina Braga.

Mais Maranhão lá fora

Outra conterrânea que está fazendo sucesso lá fora é Anna Torres, que na França tem divulgado a obra do maranhense do século, ele, o pedreirense João do Vale, autor de clássicos como “Carcará” e “Pisa na Fulo”, registrados por ela em seu disco mais recente, “O Canto da Anna”, uma clara alusão a“O Canto da Ema”, outro “clássico” daquele importante compositor, que há dez anos falecia sem o devido reconhecimento, apesar das amizades de nomes como Chico Buarque, Alcione e Maria Bethânia.

Construção coletiva

Nove bandas se apresentarão no Festival “Construção Coletiva”, na próxima quarta-feira, 14 de junho, a partir das 19h, no Bar do Nelson (Av. Litorânea). Com ingressos a preços populares – apenas R$ 3,00 – estão escaladas RM8, Amnon, Soul Trybal, No Osso, Pinhead, 5ª. Potência, Chaparral, Soturnos e 3 Reis Magros (aqui seguindo a ordem apresentada no cartaz recebido por e-mail, pela coluna). As bandas, de São Luís, mostrarão sua produção autoral.

ontem e hoje

com atraso, reproduzo aqui o publicado terça-feira no diário da manhã e quarta no colunão. no primeiro, a estréia da prometida “resenha fora de época“; no segundo, uma nota que escrevi para o senadinho [que aguarda a colaboração dos leitores deste blogue], a prosa leve de andré resende e a agenda cultural. na primeira página do semanário, walter rodrigues dá um triste aviso, a seguir transcrito:

atenção, assinantes e demais leitores

vamos ter que parar. não ainda de uma vez por todas, mas apenas por uma ou, no máximo, duas semanas. tempo necessário para repensar o projeto, melhorar a administração, inclusive a distribuição, redefinir contratos, reduzir custos, pôr os pés no chão e dar uma trégua à saúde. é absolutamente indispensável. como está – quase uma “escola de samba do eu-sozinho” – acaba virando um suplício, uma coisa que maltrata e diminui a vida.

desculpem a fraqueza momentânea. muito breve estaremos de volta. palavra. (wr)

1.
É um Braseiro, mora!
do Diário da Manhã de 6 de junho

A imprensa funciona (quase) sempre no calor das coisas. É o furo de reportagem, é a notícia quente. Na contramão disso, Diário Cultural fará, de vez em quando, resenhas fora de época, abordando discos e livros que não foram lançados recentemente. Na estréia um “faixa a faixa” de “Braseiro”, de Roberta Sá.

Não acredito em ídolos fabricados. O único lugar em que sucesso vem antes de trabalho é no dicionário, maldito clichê, talvez desnecessário, maldita rima. Roberta Sá participou do Fama, da TV Globo e não venceu sua edição. Sorte a dela, sorte a nossa. Acercou-se de gente boa a boa moça e pariu “Braseiro” (MP,B, Universal, 2004, preço sob consulta em http://www.robertasa.com.br).

A comparação com Marisa Monte talvez seja inevitável, embora apressada: ambas são bonitas, cantam bem e não são produtos descartáveis de uma mídia eternamente ávida por novidades. Mas já na faixa de abertura – “Eu Sambo Mesmo”, de Janet de Almeida, já gravada pelo “gênio” João Gilberto – Roberta atesta: “há quem sambe por ver os outros sambar / mas eu não sambo para copiar ninguém / eu sambo mesmo com vontade de sambar”. Proposital ou não, está dado o recado.

“Pelas Tabelas”, de Chico Buarque é a segunda. Samba acelerado, animado, com percussão de Marcos Suzano. Samba esquema novo, para citar o clássico de Ben. “Tão vendendo ingresso / pra ver nego morrer no osso” são versos certeiros de “No Braseiro”, da lavra de Pedro Luís, um dos mais importantes compositores brasileiros surgidos ao fim do século passado, antenado com a urbanidade, a batucada de sua Parede, eles que participam da faixa.

Quem aparece na quarta faixa é a melancolia samba (a)lento de Marcelo Camelo (Los Hermanos) em “Casa Pré-Fabricada”. Pedro Amorim e Teresa Cristina – outra sambista muito interessante da geração de Roberta – assinam “Lavoura”, cantada com a participação especial de Ney Matogrosso, que em 2004 – ano de lançamento deste “Braseiro” – gravou, com Pedro Luís e A Parede, o ótimo “Vagabundo”.

Em “Ah, Se Eu Vou”, o samba nordestino de Lula Queiroga, com pitadas de coco, no ritmo e na letra: “Todo santo dia / ela ia / ela ia lá me chamar / prá dançar coco / a beirada da saia querendo rodar”. Aqui, novamente, a batucada da Parede de Pedro Luís, parceiro de Queiroga [não nessa faixa, a parceria]. Em “A Vizinha do Lado”, a beleza do samba de Dorival Caymmi, algo distante das pragas que passaram a “representar” a música baiana em épocas de tchans e similares.

Só duas músicas de “Braseiro” se distanciam do samba. Uma é “Valsa da Solidão”, de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho. É a tristeza de “toda essa vontade de morrer de amor”. É a beleza disso. Com participação especial do MPB-4, “Cicatrizes”, de Miltinho e Paulo César Pinheiro, é outro samba prova de tristez’alegria: “acho que estou pedindo uma coisa normal / felicidade é um bem natural”.

A outra longe do samba predominante fecha o disco. “Olho de Boi”, de Rodrigo Maranhão – coincidência? – que acaba parecendo, embora não seja, uma “reza” em causa própria: “olho de ajudar boi / rezo pelo popular”. É bem brasileiro o “Braseiro” de Roberta Sá. Ela, de já, uma cantora popular.

2.
O nome da ponte
nota no Senadinho, seção de “idéias & toques sem muita formalidade”, no Colunão de 5 de junho, que só circulou hoje.

A coluna de PH, n’O Estado do Maranhão de quinta-feira 1/6, trata do batismo da nova ponte sobre o Estreito dos Mosquitos. A “disputa” estaria entre Ivar Saldanha e Maria Aragão, o primeiro indicado pelo deputado Pedro Fernandes. PH não diz quem sugeriu a “médica comunista”, mas informa que “a maioria das pessoas consultadas” (onde?) optou por Ivar. Consultadas onde?

3.
Fidelidade a três – ou mais

Tristeza e beleza: carne e osso da literatura de André Resende, que em obra de leitura rápida, toma “o destino exato dos passos aleatórios”, como somos advertidos na orelha do livro.

“Costumam acontecer coisas surpreendentes na sua vida que jamais passaram por suas idéias ou mesmo imaginação? Alô. Acorda. Isso é a vida”. A advertência, mais que verdadeira, está em “Amor Vário” (Editora Altana, 2005, 95 páginas, preço sob consulta em http://www.altanalivros.com.br), de André Resende.

A cor da capa anuncia o nome – inventado, não apenas por tratar-se de obra de ficção – de uma das protagonistas: Violeta, mulher que se diverte com homens vários na casa que herdou do marido e que faz questão que não tenha trinco na porta de entrada; no acordo que faz com aquele que será seu hóspede mais constante, esta é uma das exigências. A outra é que ele nunca se envolva com Rosa, a outra – flor de cheiro estranho, perceberá o leitor – personagem que compõe o trio central da história. Estranhos que dividem o mesmo teto, cada qual com suas reservas.

Num recurso estilístico, o autor não faz uso de travessões para anunciar as falas dos personagens; sem uma divisão anunciada, integram-se ao texto os diálogos, aparentemente sem sentido. Mas só aparentemente, como é, por vezes, a própria vida.

Triste e bonito, como a vida, às vezes, o livro é ligeiro. Proposital, talvez: para que não se perca tempo com literatura e se viva a vida, plenamente, como celebra a pena de André Resende.

Serviço

O quê: “Amor Vário”.
Quem: André Resende, que pela mesma editora lançou “O Mundo Enquadrado”, em 2004.
Onde: Editora Altana (http://www.altanalivros.com.br).
Quanto: sob consulta no site da editora.

4.
Agenda Cultural
(como nada do “agendado” “caducou” ainda, reproduzo aqui).

Teatro
Ballet Roma
– O espetáculo, da Escola de Dança Adágio, será apresentado dias 17 e 18 de junho, às 19h30min, no Teatro Arthur Azevedo. Com roteiro de Tereza Medeiros e direção geral de Ana Cristina Dourado, mais de duzentos bailarinos das mais diversas faixas etárias sobem ao palco para contar a história de Roma. Ingressos à venda na bilheteria do Teatro, com preços entre R$ 10,00 (balcão e galeria) e R$ 15,00 (platéia, frisa e camarote). Maiores informações pelo telefone (98) 3235-8578.

Imprensa
Revista
– Prima distante do Bar do Léo, a Mercearia São Pedro, na Vila Madalena, em São Paulo, lança, no próximo dia 7 de junho, às 20h, a primeira edição de sua revista. Com organização de Joca Reiners Terron, a publicação reúne textos de nomes como Xico Sá [link ao lado], André Sant’anna e João Cabral de Melo Neto, além do próprio organizador, entre outros. Para adquirir: http://www.merceariasaopedro.com.br

Livro
Paisagem feita de tempo – A obra do poeta e compositor Joãozinho Ribeiro já pode ser encontrada em diversos pontos da Ilha: Banca do Dacio (estacionamento, Praia Grande), Banca do “seu” João (Praça João Lisboa), sebo Papiros do Egito (Rua da Cruz, 150, Centro), Chico Discos (Fonte do Ribeirão) entre outros. O livro, recomendado por nomes como Zeca Baleiro, Hamilton Faria e Celso Borges, custa apenas R$ 15,00.

Esta Agenda Cultural é fechada quarta-feira. Notas para o e-mail zemaribeiro@gmail.com