Diário Cultural de ontem

Posição

A leitora Ana Cristina parabeniza o Diário da Manhã pela seqüência de matérias e editoriais mostrando a insegurança que tomou conta do Maranhão. Ela aproveita e diz que a pobreza é um dos fortes incentivadores da bandidagem. Eu (e não o Diário da Manhã) sempre discordei dessa teoria, nascida da idiotia de esquerda. Fosse verdade, todos os pobres seriam ladrões. Mais: só pobres seriam ladrões. E sabemos muito bem que isso não é verdade. Basta dar uma olhada nos políticos.

Posição 2

Por isso eu (e não o Diário da Manhã) sou favorável à criação da seguinte lei: todo assaltante deveria ter as mãos amputadas. Sendo lei, não poderia ser classificada como tortura, impiedade ou desrespeito aos tais Direitos Humanos. Amputar as mãos dos assaltantes, assim, seria mero cumprimento da lei. E ninguém poderia dizer que não tinha conhecimento.

***

As notas acima foram publidadas na “Coluna do Kenard” em 12 de maio de 2006 e motivaram-me a escrever o texto abaixo, publicado em minha coluna, no Diário da Manhã, o jornal do Kenard, ontem; não o fiz antes, motivo exposto abaixo, por conta da viagem ao Rio (devo texto). Minhas colaborações ao Colunão de ontem (nº 4 da nova fase), boto aqui mais tarde. Ao texto, pois.

Triste tópico

Após uma semana de ausência, a coluna está de volta. Pede desculpas aos leitores e já chega interrompendo a programação.

É com satisfação que voltamos a ocupar este espaço, suspenso durante toda a semana passada por motivo de viagem deste que vos escreve. Estive participando do encontro de Correspondentes do Overmundo no Brasil. O site (http://www.overmundo.com.br) – sob o comando do antropólogo Hermano Viana – pretende um mapeamento cultural do Brasil, e tem caráter colaborativo: qualquer pessoa pode publicar conteúdo nele; para tanto, basta fazer um cadastro simples (nome, localidade, e-mail).

Mas vou ter que deixar o assunto – Overmundo – para uma próxima ocasião e, mais uma vez, interromper a programação normal desta coluna para tratar de algo não menos importante, que não comentei anteriormente pelo motivo exposto acima – a viagem.

No dia 12 de maio, na Coluna do Kenard, o Diretor de Redação deste matutino publicou duas notas sobre a “insegurança que tomou conta do Maranhão”, sob os títulos “Posição” e “Posição 2”.

A primeira nota trata dos parabéns enviados ao jornal por uma leitora, acerca de sucessivas matérias e editoriais que tratavam do assunto. Até aí, nada de mais, embora o Sr. Roberto Kenard mostre mais uma vez o seu preconceito explícito contra a “esquerda”.

A segunda é no mínimo retrógrada – para não usar outro termo –, transcrita na íntegra, a seguir: “Por isso eu (e não o Diário da Manhã) sou favorável à criação da seguinte lei: todo assaltante deveria ter as mãos amputadas. Sendo lei, não poderia ser classificada como tortura, impiedade ou desrespeito aos tais Direitos Humanos. Amputar as mãos dos assaltantes, assim, seria mero cumprimento da lei. E ninguém poderia dizer que não tinha conhecimento”.

O jornalista trata a luta pela defesa dos Direitos Humanos – algo já bastante difícil no Maranhão – de forma pejorativa: “os “tais” Direitos Humanos”. Pergunto-me: quantos países, mundo afora, têm leis que desrespeitam os “tais” Direitos Humanos? Infelizmente, não são poucos. Não defenderei aqui que sejam amputadas as mãos de quem escreve tais impropérios, ou a decapitação de quem pensa dessa maneira: cairia no mesmo erro cometido por ele. Antes, coloco o espaço que a mim foi confiado neste veículo, a serviço do povo, abrindo-o ao debate.

Sabendo disso, Sadoquenn Matos, estudante de Direito da UFMA, comenta, via e-mail: “Se existe algo em que devemos acreditar, não por constatação científica, mas por posição filosófica ou moral, é que violência não é solução para violência. Pelo contrário, só gera ódio e ressentimento. A civilização tem se esforçado em demonstrar que é viável a substituição da lógica da vingança pela lógica da ressocialização. Sei que é difícil compreender porque devemos defender os direitos do criminoso, mas temos que ter em mente que tal atitude é um fator de humanização. Essa é a função primordial dos Direitos Humanos: humanizar todo aquele que se encontra brutalizado”.

Aos que porventura queiram acusar este colunista de fugir do assunto “cultura”: o olhar da população sobre temas como o acima exposto é cultural. A função da imprensa não é apenas informar: deve, antes de tudo, formar (para o bem); o desenvolvimento de um povo – ou de um Estado – passa necessariamente pelo desenvolvimento da imprensa.

4 comentários em “Diário Cultural de ontem

  1. zeminha: é claro que poderia ser considerada tortura a amputação de mãos alheias, ainda que fosse lei. leis são invenções. não que eu ligue, claro. tô pra começar uma campanha pró-monarquia. o mickey é meu rei. abração.

  2. ah, mas esse papo de “violência só gera violência” é bem chato também. isso é que torna as coisas entediantes: sempre a mesma conversa. quem é que não sabe disso? é uma verdade, mas de tanto ser repetida, eu tenho mais vontade de sair por aí chutando gato do que de dizer “violência só gera violência”.

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