de volta

caros, já estou de volta à ilha. por enquanto, os dois textos que publiquei no colunão nº 3: o primeiro, uma nota no senadinho (que aguarda suas colaborações) sobre o décimo quarto número da revista coyote; o segundo, sobre o encantador livro “memórias inventadas – a segunda infância”, do poeta manoel de barros. e sobre a viagem, conto depois.

[um]

O 14º uivo do Coyote

por Zema Ribeiro

É fato: fazer jornalismo independente no Brasil é difícil. É fato também: fazer jornalismo independente no Maranhão é mais difícil ainda. Mas as dificuldades, no caso do Colunão, só fortalecem sua equipe. Dificuldade também, no país, é fazer revista independente de/sobre literatura. Mas o time formado pelos poetas Ademir Assunção, Marcos Losnak e Rodrigo Garcia Lopes (editores) e Joca Reiners Terron (projeto gráfico) não esmorece. Ainda bem!: com periodicidade trimestral e tiragem de mil exemplares, a revista Coyote chega ao 14º número, trazendo, entre outras letras, o dossiê Chacal, no ano em que o poeta completa 55 anos de idade e 35 de poesia. A Coyote é distribuída nacionalmente (em livrarias) pela Editora Iluminuras e custa apenas R$ 10,00.

[dois]

De quando literatura e prazer caminham de mãos dadas

Entre lembranças de suas iniciações sexuais e apontamentos para uma linguagem perfeita – sem possíveis ou esperados didatismos chatos e/ou intenções – Manoel de Barros, lido pela primeira vez pelo colunista, provoca neste uma vontade de adolescer como o bom velhinho que ainda é criança.

por Zema Ribeiro

Ficção ou não, as “Memórias Inventadas – A Segunda Infância” (Editora Planeta, 2006), prosas poéticas de Manoel de Barros, são “música para os olhos”. O homem que disse que “o que é bom para o lixo é bom para a poesia” recorda com leveza fatos da infância, como quem acabou de sair dela – o poeta completa noventa anos em dezembro.

Dezessete historinhas compõem a obra, de edição luxuosa: folhas soltas casando a poesia do mato-grossense com iluminuras da filha, Martha Barros. Uma fita, envolvendo tudo. E uma caixa, ao que parece indicando ao leitor: dê de presente, e dê por ter gostado.

Com leveza, inocência e simplicidade, o homem tece memórias infantis, sem mostrar a angústia de “bons tempos aqueles, hein?!”; ao contrário, parece ter prazer no que faz. E prazer tem o leitor, ao encontrar lá relatos/lembranças da empregada que o ensinou a foder aos quinze anos; ou a lacraia descarrilada (meninos separaram os “gomos” de uma lacraia, como se se tratasse de um trem); ou de quando o léxico de um menino não tem mais que oito palavras.

Embora seja “prosa”, esse livro de Manoel de Barros – que diz não ter tido adolescência e por isso nos brinda com “A Segunda Infância”, no rastro da primeira (“Memórias Inventadas – A Infância” foi publicado em 2003) – traz momentos de pura poesia. Como a tentativa de desenhar uma manhã e cometer um desenho erótico, com a manhã de pernas abertas para o sol; ou nos trechos (a seguir, entre aspas, transcritos diretamente da obra): “eu não sei nada sobre as grandes coisas do mundo, mas sobre as pequenas eu sei menos”; “os verbos servem para emendar os nomes […] bentevi cuspiu no chão. O verbo cuspiu emendava o bentevi com o chão”; “que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós”.

Mais que prosa, poesia, música ou qualquer outro rótulo que se possa aplicar ao trabalho de Manoel de Barros, está ali – sem exageros – a linguagem perfeita, mesmo que não tenha sido esta sua intenção. No livro: “quisera uma linguagem que obedecesse a desordem das falas infantis do que as ordens gramaticais […] desfazer o normal há de ser uma norma”.

2 comentários em “de volta

  1. Diabos, meu querido, que faz a foto da capa ridícula daquele opósculo troncho antisarney ao lado de sua coluna, hein? Sinceros pêsames, Zema. Sinceros mesmo. Bjos

  2. naldo, se você tá falando do colunão, desculpe-me: só fui pegar hoje pela manhã, após ter chegado de viagem. ainda não tive tempo de lê-lo na íntegra, mas vou ver e falo contigo. obrigado pela leitura atenta e constante. abração!

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