Arquivo mensal: março 2006

Duas notas

Recebi hoje, de assessorias, as duas notas abaixo. Como o próximo Diário Cultural só circulará domingo e os shows acontecem antes, aí vão.

1.
Iniciativa do SESC, o projeto Marco Instrumental desta sexta-feira, 24/3, apresenta o guitarrista Marcos Lussaray, que está gravando seu primeiro disco solo, depois de já ter emprestado seu talento a artistas tão diversos como Zeca Baleiro, Alcione, Mano Bantu e Erick Donaldson, entre outros. O show acontece ao meio-dia, na área de vivência do SESC Deodoro.

2.
A turnê nacional do espetáculo Piano e Voz, que reúne no palco a cantora Ná Ozzetti e o pianista André Mehmari, chega à São Luís neste sábado, 25/3. O show acontece no Teatro Arthur Azevedo a partir das 21h e conta com duas partes: em cada uma, o repertório é escolhido por um dos artistas. A turnê foi um dos projetos selecionados no primeiro edital do programa Natura Musical.

Diário Cultural de hoje

Diversas, ligeiras

Diário Cultural recomenda um navegar pela Mnemozine, revista eletrônica que chega ao terceiro número. Dá conta ainda de oficina de cacuriá no Laborarte e da Semana do Teatro no Maranhão, além de matéria de Xico Sá para a Trip que está nas bancas.

Navegar é preciso! Mnemozine

Recebi, via e-mail, do amigo Edson Cruz (que edita o ótimo Cronópios, que completou recentemente um ano no ar e do qual este colunista é correspondente para o Maranhão), o aviso: a Mnemozine número 3 já está no ar. Trata-se de belíssima revista virtual, que traz na capa desta edição a poetisa Alice Ruiz. No endereçohttp://www.cronopios.com.br/hotsite%5Fmnemozine/ é possível conferir, além desta, as edições anteriores da revista, que sempre elege um “personagem”, a capa, no caso. Os anteriores são, não menos importantes, Pedro Xisto (número 2) e Paulo Leminski (na estréia). Clica lá!

Sobre Alice Ruiz, Paulo Leminski e Mnemozine, esta coluna terá que voltar ao assunto, que é muito, com certeza. Por enquanto, fica a dica.

Cacuriá no Labô

As oficinas de Cacuriá, ministradas pelo Grupo Laborarte já começaram e estão ainda recebendo inscrições. As aulas acontecem às 20h, toda segunda-feira, no tradicional Casarão 42 da rua Jansen Müller, Centro, sede do Laborarte. Maiores informações pelo telefone (98) 3232-2677.

Semana do Teatro no Maranhão

Entre os dias 27 de março e 2 de abril, acontece a Semana do Teatro no Maranhão, em comemoração ao Dia Internacional do Teatro e Dia Nacional do Circo (ambas em 27 de março). As inscrições podem ser feitas, de segunda a sexta, até o dia 24 de março, das 14h às 19h. A programação cultural contará com a apresentação de grupos locais e de São Paulo, Ceará e Pernambuco. A programação completa pode ser conferida emhttp://geocities.yahoo.com.br/semanadoteatro, página desenvolvida pela Comissão Organizadora do evento. Maiores informações: (98) 3218-9900.

A Trip, o Xico e o Rei

A Revista Trip número 142 está nas bancas. Um especial sobre educação, com o assunto em diversas vertentes. Prova da competência de quem faz a revista, que caminha para vinte anos de inteligência, entre outras inúmeras qualidades. Sem fugir da pauta, hilária matéria de Xico Sá, que acompanha o cruzeiro do rei Roberto Carlos, responsável pela educação sentimental de gerações país afora. Confira! Aperitivos emhttp://www.trip.com.br

Alice, Sérgio…

1.

Alice Ruiz é a “personagem” do número 3 da Revista Mnemozine, que já está no ar. Uma beleza, a revista, que estreou com o personagem Paulo Leminski. Confira, clicando aqui.

2.
“Toco violão como quem toca o corpo de uma mulher. Sem conhecer as zonas erógenas”.
Sérgio Sampaio, em entrevista do encarte de Cruel, lançamento da Saravá Discos, mais uma bela sacada de Zeca Baleiro. Sobre o disco escrevo por aqui em breve.

SMDH lança revista durante monitoramento do PIDESC

[Diário Cultural de hoje; o blogueiro aqui tá na publicação, como revisor]

Atividade de monitoramento do PIDESC acontece amanhã, com participação de diversos segmentos da sociedade civil. Será elaborado o informe alternativo para apresentação ao comitê DESC/ONU e a SMDH aproveita a ocasião para lançar “Homicídio: um crime contra a Vida”, primeiro número da revista Direitos Humanos.

Acontece amanhã, a partir das 8h, a Audiência Pública de Monitoramento do Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC), no Auditório Che Guevara do Sindicato dos Bancários (Rua do Sol, 413/417, Centro). Os trabalhos serão coordenados pela Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), com a participação de diversas organizações com atuação na defesa e promoção dos direitos humanos no Maranhão, entre as quais podemos destacar o Centro de Cultura Negra (CCN/MA) e o Grupo Gayvota.

O que é PIDESC

O Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC) foi adotado pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 16 de dezembro de 1966, entrando em vigor na ordem internacional em 3 de janeiro de 1976. Não bastasse a lentidão mundial, o pacto, composto por trinta e um artigos, foi ratificado no Brasil somente em 1992.

Dividido em cinco partes, o PIDESC trata da livre determinação dos povos, da responsabilidade dos estados partes em assegurar o pleno exercício dos direitos garantidos no pacto, do reconhecimento do direito ao trabalho, à seguridade social, à alimentação, vestuário e moradia, à saúde plena, à educação, à participação cultural e dispõe também sobre a obrigação dos estados em apresentar relatórios sobre as medidas tomadas em seus territórios para assegurar o seu cumprimento.

Informe alternativo

O relatório que será elaborado durante as atividades de amanhã é chamado de informe alternativo e será assim denominado até a apresentação de um relatório oficial por parte do Governo Federal. A partir daí, o relatório da sociedade civil será chamado contra-informe.

O primeiro informe alternativo foi construído em 1999/2000, e apresentado ao Comitê DESC/ONU em 2000 pelas entidades que coordenaram o processo: Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal.

O segundo informe oficial do Brasil deve ser apresentado até junho deste ano, o que torna importantíssima a atividade desta quarta-feira, quando serão verificados os avanços, limites, retrocessos, possibilidades e desafios enfrentados pelo Estado Brasileiro na esfera administrativa (política e orçamento públicos), legislativa e judiciária para a garantia desses direitos.

Lançamento

A SMDH aproveitará a ocasião para lançar o primeiro número da revista “Direitos Humanos”, que sai com tiragem inicial de mil exemplares. A temática é “Homicídio: um crime contra a Vida” e traz diversos artigos e reflexões sobre o assunto, além de um acompanhamento de notícias de homicídio publicadas em jornais impressos da capital maranhense.

Serviço

O quê: Monitoramento do PIDESC e lançamento da revista Direitos Humanos.
Quando: amanhã, a partir de 8h.
Onde: Sindicato dos Bancários (Rua do Sol, 413/417, Centro).
Maiores informações: http://www.smdh.org.br, (98) 3231-1601, 3231-1897.

Quando não é um, é outro

Bom, alguns de vocês devem estar acompanhando as Jeronimadas da Veja – e do próprio Jerônimo Teixeira – blogues afora (vide, aí ao lado, os espaços do Ademir, doMarcelino, do Bressane etc.). Quando não é a criança mimada, é o chefe. Pois bem, a Veja desta semana destaca o ex-presidente FHC em matéria de capa e dezesseis páginas no miolo da porc… digo, revista. Sob o título “A arte de ser FHC”, o “especial”, assinado por Mario Sabino, redator-chefe da revista, dá conta do lançamento de “A arte da política: a história que vivi”. Segundo o veículo semanal, “o livro mais esperado do ano”. Peraí: esperado por quem? Eu não vou dizer nada.

É claro – e não poderia ser diferente – que a matéria (dá pra chamar assim?) é tendenciosa. Não poderia ser diferente, repito. Vamos lá, um trecho, com a palavra, FHC, no “esperadíssimo” livro:

“Por ‘indigesto’ que fosse o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), por exemplo, procurei tratá-los como um dos novos movimentos da sociedade. Tentei dialogar com seus dirigentes, nos limites da lei, mesmo quando, por exemplo, militantes invadiram a fazenda que pertencia à minha família em Buritis, no noroeste de Minas Gerais. Confesso, entretanto, que por mais que os recebesse e me esforçasse para apoiar o programa de reforma agrária, o diálogo revelou-se impossível. Lembro-me de que, na primeira reunião que tive com dirigentes do MST no Planalto, eles deixavam logo claro que pretendiam antes provocar um fato na mídia do que dialogar. Era um pequeno grupo, e logo no início do encontro um deles, que portava a bandeira verde, branca e vermelha do movimento, perguntou: “Podemos abrir a bandeira?” Respondi: “Não! Bandeira, aqui, só a do Brasil. Não pode, não.” De outra feita, o grupo, em atitude típica, entrou em minha sala sem tirar os bonés com o logotipo do movimento, atitude distante da que se espera de quem tem uma audiência no gabinete presidencial, seja quem for o Presidente. Estavam os principais dirigentes, entre os quais João Pedro Stédile e José Rainha Júnior. Logo no começo, um integrante do grupo dirigiu-se a mim de maneira desrespeitosa, chamando-me de ‘Fernando’. Olhei para ele e disse, cortando o tom inadequado: “O senhor está falando com quem?””.

Deu pra sentir o clima? Na capa da revista um FHC risonho, bonachão, ao lado dos dizeres: “Exclusivo – FHC explica FHC e o Brasil – Trechos inéditos do livro em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso revela os bastidores de seus dois mandatos”. Millôr já disse, sobre a literatura de Sarney: “é tão ruim, que quando você larga não quer mais pegar”, cito de memória, sem consulta. A de FHC deve ser a mesma coisa. É como “Os 2 Filhos de Francisco”: não vi, não gosto e pronto.

Não vou me alongar muito no assunto. Não merece. Mas transcrevo ainda, algumas perguntas da segunda parte da matéria, uma entrevista com o tucano, sob o título “Me considero de esquerda”. É pra rir ou pra chorar? Às perguntas, pois (algumas apenas, e sem comentários): 1. “Qual é o futuro do PT, se é que o partido tem futuro?”, 2. “Constata-se no seu livro que o senhor, como presidente, se empenhou profundamente nas discussões sobre os rumos a seguir na economia. Num mundo complexo como o de hoje, é possível um país como o Brasil ser liderado por alguém sem formação intelectual compatível?”, 3. “Na conclusão de A Arte da Política, o senhor diz que Lula se perdeu nos escaninhos do poder e suas facilidades. A falta de preparo intelectual não teria tido um papel nessa perdição?”, e 4. “O Brasil, então, ainda paga o custo PT?”.

Tirem suas próprias conclusões.

Flores pra São José no “Avarandado” da capela

[Diário Cultural de ontem]

Num mundo cada vez mais vertical – não, nada a ver com política partidária –, competente cantora elabora um “tributo às varandas”. Talvez ela nem quisesse, mas consegue prestar também um tributo às flores e à São José – ao menos é esta a associação que o colunista consegue fazer, ao escrever sobre o disco no dia em que se celebra o dia do santo que batiza onze em cada dez maranhenses.

Avarandado. Capa. Reprodução

Como esta coluna é católica, mas nem tanto, não vamos aqui, celebrar o dia de São José. Quer dizer, não apenas. Hoje é dia do santo. E isso é, sim, um assunto para uma coluna “de cultura”. Mas fiquemos por aqui, num viva àquele que batiza tantos zés Maranhão – e país – afora, este colunista um deles. “Virge, como tem Zé lá na Paraíba”, cantaria o saudoso mestre Jackson do Pandeiro – ele também um José na pia batismal – em música assinada por Manezinho Araújo e Catulo de Paula. Bom, deixemos os Zés em paz, inclusive o santo, procissões à vontade e vamos ao assunto de hoje. Antes, meus parabéns aos amigos Raimundo Nonato – que não sei por que não é Zé também – eGisele Brasil, vindos ao mundo em diferentes dezenoves de março.

E hoje, aqui, escrevo sobre o “Avarandado”, disco de Ana Salvagni, esposa do violeiroPaulo Freire, com página na internet já recomendada por aqui. Esta “audição” aqui também anunciada na ocasião (Diário Cultural de 14 de março). Vale dizer que isso de ser “esposa de Paulo Freire” é mero detalhe. A participação dele no disco resume-se – o que não é pouco, diga-se – a três adaptações de temas de domínio público – “Balaio”, “Beira-mar dos canoeiros” e “Maricota” – e a composição de uma das faixas, parceria com Milton Dornellas – “A luz dos olhos dela”, que não é dito no encarte, mas deve ter sido composta em homenagem à Ana, de belos olhos, vistos no mesmo encarte onde ela escreve, explicando o título do disco – sim, a canção de Caetano, gravada por Gal Costa em fins dos anos sessenta, século vinte: “Varandas são espaços abertos e, ao mesmo tempo, acolhedores. Uma boa varanda nos convida a sentar e a desfrutar de um livro, da conversa com um amigo, do canto de um passarinho ou, simplesmente, do momento. Algumas músicas foram feitas para serem ouvidas em amplas e lindas varandas. No mais das vezes, lá dentro, na varanda da alma. Corpo descansado e coração avarandado”.

Calma, leitor: não há aí pretensão. É isso mesmo: “lá dentro, na varanda da alma”. Com certeza, “Você vai gostar”. Este, aliás, tema que abre o disco, composição de Elpídio dos Santos, já gravado por Dércio Marques em seu “Fulejo”, 1983 (naquele disco como “Casinha Branca”). “Satisfeito, vou levar você de braço dado atrás da procissão”, diz a letra. O santo lá de cima – literalmente – ainda não está satisfeito com tanta prece. Flores para ele. Rosas. “Das Rosas”, Dorival Caymmi comparece ao repertório. Festejo de santo que se preze tem que ter algo de profano. Após a missa, “Seresta” (única composição de Ana, parceria com José Eduardo Gramani). No melhor formato seresta: violão sete cordas e sax soprano – Swami Jr. e Mané Silveira. Abaixo os teclados sintetizadores!

Dia de São José, “Carta pro Zé” (Ricardo Matsuda): “a luz lá de cima pro meu amor sorrir, rezar”. Do menestrel Elomar, a tristeza – isso é um elogio! – revisitada com competência em “Incelença do amor retirante”, onde Ana é acompanhada apenas do acordeom de Toninho Ferragutti. Daí à alegria de “Balaio”, sem descontinuidade. Do repertório de Ataulfo Alves, “Favela” (Hékel Tavares e Joracy Camargo, o primeiro, plagiado por Fagner, que alterou uma palavra de sua “Você” e gravou “Penas do Tiê” como “folclore recolhido e adaptado”). “Você tem açúcar” (Roberto Martins e Osvaldo Santiago), apesar da óbvia rima fel/mel, é um chorinho que nada deve a grandes mestres do gênero. “A luz dos olhos dela” é seguida por “Rosa amarela” (Levi Ramiro, sobre tema tradicional alagoano). Rosas, aliás, não faltam nesse disco. Viva São José!

De Caetano Veloso, a faixa título, seguida por uma animada “Roda de ciranda” (adaptação de Edmilson Capelupi – que toca alguns violões e cavaquinhos no disco – para diversos temas do gênero, de Pernambuco). Linda! E assim permanece, “Além de Olinda” (José Eduardo Gramani). Entre dois temas de domínio público (“Beira-mar dos canoeiros” e “Maricota”, que fecha o disco), a presença maranhense de Dilu Melo, que compõe “Fiz a cama na varanda” (parceria com Ovídio Nunes), do verso “deu um vento na roseira”. Mais uma música que fala de rosa, de flor.

Não só na varanda: em qualquer lugar. “Avarandado”, um disco para se ouvir em festejos de qualquer santo, que todo dia é dia de um.

por causa de um comentário no blogue de ronald robson…

… agora linkado aí ao lado

o cabelo inventa o vento.
eu reinvento
o penteado:
parto, com o pente
coloco pro lado,
e deixo de lado
qualquer tormento.

elimino maus pensamentos,
que eles não valem a pena.
ao menos, nem tanto.
se canto, não encanto
e logo canso.
desisto. durmo cedo.
e acordo tarde,
despenteado.

Cruel

Arrigo pra Itamar. E agora Zeca Baleiro pra Sérgio Sampaio. Sérgio Sampaio é capixaba, da mesma Cachoeiro do Itapemirim que viu nascer sua majestade, Roberto Carlos (que tem seu cruzeiro real acompanhado por Xico Sá na Trip desse mês, já nas bancas). O maior sucesso do “maldito” – assim o rotularam, fazer o quê? – é “Eu quero é botar meu bloco na rua”, gravado e regravado por aí. Pelo Saravá Discos – selo criado por Baleiro para lançar projetos especiais, como este – acaba de sair “Cruel”, que reúne catorze composições de Sampaio, a grande maioria inéditas. As bases de SS foram mantidas e a estas, Zeca acrescentou uns poucos instrumentos.

Em tempo: a amiga Adriana Bueno me conta que em breve será lançado um site sobre Sérgio Sampaio. Que ele ajude-nos a encontrar a obra do músico.

Em tempo, ainda: saiu, também pelo Saravá, um disco com poemas de Hilda Hilstmusicados por Zeca; nele, o universo de Hilda cantado por Ângela Maria, Ângela RoRô,Jussara Silveira, Maria Bethania, Mônica Salmaso, Ná Ozzetti, Olívia Byington, Rita Ribeiro, Verônica Sabino e Zélia Duncan.

Sobre Cruel, em breve resenha com mais detalhes por aqui. O disco está à venda em http://www.saravadiscos.com.br

A missa do amigo Arrigo

Quando eu disse que era amigo de Reuben e Gisele Brasil (não necessariamente nessa ordem, creio), Larissa Leda virou e disse: “Isso reforça a minha tese de que o mundo só tem oitocentas pessoas”. Concordo, é por aí. Dessas oitocentas pessoas, quase vinte lêem meu blogue. Dessas quase vinte, todas sabem quem é Arrigo Barnabé. E sabem também quem é Itamar Assumpção. E isso não é mérito do blogue. Nem do blogueiro. No resto da subtração, é possível encontrar pessoas que os conheçam também. Mas a maioria dos oitocentos menos quase vinte, com quem convivo em todos os lugares que vou (ou não) – casa, rua, igreja, boteco, faculdade (não necessariamente nessa ordem, também) – não sabem. Infelizmente. Li, dias atrás, notícia que dava conta de que o compositor de Clara Crocodilo gravará uma missa em homenagem ao Nego Dito. Recebi da amiga Adriana Bueno, que está assessorando este trabalho de Arrigo, o release abaixo, que me deixou ainda mais ansioso. Só sossego quando o disco me chegar às mãos. Paciência, Zema! É esperar. Vai valer a pena, pode ter certeza!

Arrigo Barnabé grava Missa que escreveu para Itamar Assumpção

Na próxima semana começam os ensaios para a gravação da “Missa In Memoriam Itamar Assumpção”, escrita por Arrigo Barnabé para homenagear o amigo falecido em 2003. Com patrocínio da Petrobras e produção executiva de Carlos Careqa, o cd será gravado em março e sairá ainda no primeiro semestre pelo selo Thanx God/Tratore.

A Missa será executada por uma orquestra, com formação instrumental que contempla madeiras, metais, cordas e principalmente percussão, e um coro de 12 vozes, com regência do maestro Tiago Pinheiro. Escrita em latim, a Missa reproduz o texto da missa católica e é formada por seis partes: Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus, Benedictus e Agnus Dei, às quais Arrigo acrescentou citações de Itamar.

O cd ampliará o alcance da homenagem póstuma do amigo Arrigo, como dizia o próprio Itamar em uma de suas canções, que teve uma única apresentação em outubro de 2004, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Esta é a segunda vez que Barnabé compõe uma obra do gênero. Em 2003 escreveu uma Missa para acompanhar a mostra dedicada ao artista plástico Arthur Bispo do Rosário, no Centro Cultural Banco do Brasil.

Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção fizeram história na música brasileira. Quando apareceram no cenário musical, não ficou nada no lugar. O Nego Dito e o Clara Crocodilo mudaram os rumos da música brasileira nos anos 80. A energia desta convivência está na Missa escrita por Arrigo: “o que nós vivenciamos em nossa estrada, as experiências, angústias e as pequenas alegrias divididas, tudo isso criou lastro suficiente para abastecer emocionalmente e para gerar um entusiasmo capaz de alicerçar esta obra”.

O delito de uma gangue de bons desenhistas

[Diário Cultural de hoje]

Iramir Araújo, acompanhado de outros bambas do universo HQ brasileiro, lançam hoje o álbum “Corpo de Delito”, que reúne, entre inéditas e já publicadas, diversas histórias do delegado Augusto “Caolho” dos Anjos, de já um clássico dos quadrinhos maranhenses.

Corpo de delito. Capa. Reprodução

Preto e branco é um charme. Seja na tv, no cinema e, principalmente, nos quadrinhos. O crime, quando ficção, também é um charme. Há até quem ache que o crime compensa. E talvez compense mesmo. Ou não? O criminoso da vez é Iramir Araújo. Sim. Deve ser crime ser talentoso no Maranhão, não sabiam, caros leitores? A reclusão/pena é o total desconhecimento por parte do público. Pois é. Criminosos, ele e uma “gangue” que arregimentou: Beto Nicácio, Marcos Caldas, Bruno Azevedo, Ronilson Freire, Carlos Sales, Salomão Júnior e Luiz Saidenberg. Este último, reconhecido nacionalmente, Iramir conheceu virtualmente: “Há tempos escrevo sobre quadrinhos. Um dia escrevi sobre um trabalho dele e o texto, de um jeito ou de outro, caiu-lhe nas mãos. Começamos a trocar e-mails e, tempos depois, ele pediu para desenhar um roteiro meu. O resultado está aí”, conta, sobre uma das histórias que compõem o álbum “Corpo de Delito”, que será lançado hoje, às 19h na Galeria de Arte do SESC (Av. Gomes de Castro, 132, Centro).

“Corpo de Delito” reúne diversas histórias, entre publicadas e inéditas, de Augusto “Caolho” dos Anjos, delegado de polícia criado por Iramir Araújo e publicado pela primeira vez em 1982. Qualquer semelhança entre o delegado, obra da mente criativa de Iramir, e o poeta paraibano, dono de versos como “o beijo, amigo, é a véspera do escarro, / a mão que afaga é a mesma que apedreja”, não são meras coincidências: ambos são, para usar um lugar-comum, malditos. Caolho é um obstinado que não brinca em serviço. E não brinca, mesmo quando está brincando: no álbum, encontramos o personagem, por vezes, largando uma cerveja gelada pelos bares do Centro Histórico ludovicense – a Ilha de São Luís é palco de todas as aventuras ali narradas – para manter a ordem. Caolho combate ferozmente traficantes de drogas, de órgãos, ladrões, estupradores.

Caolho é um super-herói, sem superpoderes ou cuecas por cima das calças. Surgido nos mesmos becos e ruas onde combate crimes em São Luís, é, como disse Euclides da Cunha sobre o nordestino, “antes de tudo, um forte”. Iramir Araújo comete o pecado – ou crime, como já dito anteriormente – de ser talentoso em São Luís do Maranhão. Mas é, também, antes de tudo, um herói: o herói dos roteiros de “Corpo de Delito”, verdadeiro cinema impresso.

Serviço

O quê: Lançamento da HQ “Corpo de Delito”
Quem: Iramir Araújo, Beto Nicácio, Marcos Caldas, Bruno Azevedo, Ronilson Freire, Carlos Sales, Salomão Junior e Luiz Saidenberg.
Onde: Administração/Galeria de Arte, SESC (Av. Gomes de Castro, 132, Centro)
Quando: hoje, às 19h.
Quanto: R$ 5,00 (preço promocional de lançamento; o álbum será vendido em bancas de revista por R$ 6,00).

Domingo

[O Diário Cultural que fiquei devendo. Com atraso, culpa minha, embarquem na Nave Maria…]

Quantas orações pela chegada de Nave Maria?

Nave Maria, único disco de Tom Zé ainda não reeditado em cd, acaba de chegar ao mercado em formato digital. Agora é esperá-lo no mercado ludovicense, que recebe uns sopapos do colunista. Por enquanto, vale a pena apelar para a internet; e a coluna recomenda aos leitores o blogue de Mauro Ferreira.

Nave Maria

Charles Gavin – para muitos, infelizmente, apenas o baterista d’Os Titãs – continua com seu projeto de relançar em cd, diversos títulos da música popular brasileira. Entre obscuros, esquecidos e outros que ninguém entende por que é que nunca haviam sido relançados. Acabam de chegar às lojas – alô mercado ludovicense! – vinte e cinco títulos, resultados do mais recente trabalho de pesquisa empreendido por Gavin. Entre eles, vale destacar “Nave Maria” (1984), único disco lançado por Tom Zé na década de oitenta do século passado, e seu único trabalho ainda não relançado em formato digital depois que o Talking Head David Byrne o re-descobriu, começo dos anos noventa. E o único título do gênio de Irará que ainda não figura em minhas torres (de cds).

Ao saber da notícia, esta coluna manteve contato, via e-mail, com D. Neusa Martins, esposa e assessora do compositor baiano, mas eles ainda não tinham visto como ficou o disco, que traz canções como a faixa título (dos versos “quando eu cheguei / entrei na terra / por uma cratera / chamada nascer”, que entrou na coletânea “The Best Of Tom Zé”, lançada no mercado ianque em 1990 por David Byrne), “Conto de Fraldas” (regravada por Tom Zé em seu “Jogos de Armar – Faça Você Mesmo”, e pelos mineiros do Tianastácia) e “Identificação” (que virou “1, 2, Identificação” em “Imprensa Cantada”).

Em tempo, uma informação “sugada” do blogue de Mauro Ferreira (dica abaixo): “Mr. Tom Zi” (assim o chamam nos Estados Unidos) participará do próximo disco do Cake, grupo liderado por John McCrea, fã confesso do baiano.

O colunista continua tentando contato com o titã, para sugerir-lhe o relançamento de algumas pérolas de Chico Maranhão.

Alô, mercado ludovicense! Aqui ou na internet?

A Coyote nº 14 sai em março. Para quem não sabe, trata-se de excelente revista editada por Ademir Assunção [link ao lado], Marcos Losnak e Rodrigo Garcia Lopes. É distribuída pela Iluminuras. Os ilhéus que gostam de poesia e literatura de qualidade poderão comprá-la em alguma livraria daqui ou terão que apelar para a internet?

Marisa Monte acaba de lançar dois discos. Um de linhagem pop, outro de sambas. Os ilhéus fãs da cantora poderão comprá-los em lojas locais ou terão que apelar para a internet?

Aos renitentes: não é o caso de eu me mudar já que acho o mercado lento, ruim ou coisa parecida etc., amém! É, sim, o caso de eu tentar contribuir para mudá-lo (para melhor). Eis (aqui) a minha modestíssima contribuição.

E por falar em internet: navegar é preciso!

Voltamos a arriscar recomendar alguns sites/blogues que merecem visitas. Da série “Navegar é preciso!”, capítulo perdi as contas. Vale a pena o blogue de Mauro Ferreira[aqui, na versão impressa, o vacilo: o endereço não foi publicado, falha nossa]. Música para os olhos. Atualizadíssimo. Plural. Lá é possível saber de Ben Harper a Babado Novo. De Alcione a Bruce Springsteen. De Tom Zé a Detonautas. Da portelense Marisa Monte a Velha Guarda do Império Serrano. Confira!

Toques e falhas

[Diário Cultural de hoje. Aos que acompanham, por aqui, esse trecho de versão on-line do jornal Diário da Manhã, fico devendo o de domingo passado, por aqui, no mais tardar, amanhã]

Iramir Araújo e outros “bons elementos” lançam novo álbum de HQ: “Corpo de Delito”. O violeiro Paulo Freire de sítio novo na internet. Uma ligeiríssima memória do show de Nando Reis, duas erratas e “mais um” problema com o serviço Velox – que deveria mudar de nome. Estaremos atentos, tentando evitar que as falhas – de nossa responsabilidade – não se repitam.

Corpo de Delito

Iramir Araújo e outros bambas do universo HQ maranhense lançam, quinta-feira, 16/3, o álbum “Corpo de Delito”. O evento acontecerá nas dependências do SESC (Administração, Galeria de Arte) a partir das 19h. O SESC fica na Av. Gomes de Castro, 132, Centro. Mais detalhes por aqui, em breve.

Navegar é preciso!

Quem está de sítio novo é o violeiro Paulo Freire. Em http://www.paulofreire.com.br é possível saber mais de sua carreira, discografia etc. E em breve, por aqui, resenha de “Avarandado”, mais novo título lançado por sua esposa, a competente cantora Ana Salvagni.

Errata

Antes de mais nada: por falha do colunista, o endereço do recomendado blogue de Mauro Ferreira não foi publicado no domingo (Diário Cultural de 12 de março). Segue agora:http://odia.terra.com.br/blogs/mauroferreira. Repito: música para os olhos!

Nando Reis e mais um vacilo do colunista

Casa cheia. Coisa rara de se ver em São Luís: bom show com bom público (vide apresentações por aqui de nomes como Raimundo Sodré, Elomar e Jorge Mautner). Certo: Nando Reis é um artista “pop”, compositor de sucessos de artistas e grupos como Marisa Monte, Cidade Negra, Cássia Eller, Skank e Jota Quest, entre outros. Com sua saída dos Titãs ganhou maturidade. Valeu a pena ver “o ruivo” em ótima forma. Mais um vacilo do colunista: acabamos omitindo a banda “The Mads” em texto publicado aqui na quinta-feira passada (Diário Cultural de 9 de março). Eles que aqueceram o público presente ao ginásio do Dom Bosco no sábado. Os meninos foram “infernais”.

Lentox

Preparei a coluna para envio ao Diário da Manhã. E fui obrigado a levá-la pessoalmente ao jornal. Tudo isso por que a mensagem “A system failure has occured”, dava conta de “mais um” problema com a conexão Velox. Alô! Não sou o primeiro a reclamar e tenho certeza – infelizmente: não serei o último.