Sobre o Diário Social de 29 de março de 2006

[para quem acha(va) que eu só critico O Estado do Maranhão]

No blogue do Pedro Alexandre Sanches (link ao lado; como Ademir Assunção outra inteligência sempre citada aqui neste espaço), um texto publicado em fevereiro na Carta Capital dá conta: Wilson Sandoli preside a OMB há quarenta anos. Ele (PAS) diz (na caixa de comentários) que não sabe quem preside o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Aqui, no Maranhão, eu sei: Leonardo Monteiro, há mais de década e meia lá (eu não sei onde fica a sede do sindicato).

Uma historinha (com “h”, que é verdadeira): Ed Wilson Araújo (mais um, sempre por aqui; modéstia a parte, ando bem acompanhado, não?) conclui o curso de Jornalismo na UFMA, início da década de noventa, século passado. Inicia atividades profissionais no Sindicato dos Bancários (SEEB-MA). Profissional consciente e coerente que é (postura mantida até hoje: quem não o conhece pode perceber nos textos que posto aqui, vez em quando), procura o seu sindicato de classe para filiar-se: “você não pode, pois não atua em empresa jornalística”, foi a resposta que ouviu do “ilustre” sr. presidente do sindicato dos Jornalistas do Maranhão. Então tá: na interpretação dele, assessor de comunicação não é jornalista. As universidades deveriam então oferecer o curso de Comunicação Social com habilitação em Assessoria de Comunicação e/ou Imprensa.

Uma interrupção rápida, coisa que lembrei agora: anteontem, em sua coluna diária n’O Estado do Maranhão, Pergentino Holanda disse que “jornal semanal não é jornal”. E foi buscar a explicação na etimologia, francês, jour, dia etc. Uma bobagem, não?

O negócio é o seguinte, eis o porquê de todo esse zêmico “trololó”: ontem, 29 de março, em seu “Diário Social” publicado no Diário da Manhã, a jornalista Aulinda Lima escreveu um texto que me desagradou bastante, intitulado “Paloccigate”. Não, o que me incomoda não é ela ter falado (bem ou mal) de Palocci (já disse e repito que, apesar de simpatizar com o partido e o governo de Lula, não sou filiado ao PT). O que me incomoda é o que vocês lerão a seguir.

Em tempo: errei, feio, ao “atrelar” o escândalo Watergate ao governo americano Reagan (1981-89); o mesmo ocorreu na gestão de Richard Nixon (1969-74). Mas, atrelar por atrelar, erra quem atrela o escândalo americano ao “escândalo” brasileiro (quem souber um pouquinho sobre os dois, entenderá); mas isso não parece ter feito tanta diferença à “colega” Aulinda, que deve ter extraído o neologismo (Paloccigate) da última edição da revista (?) Veja.

Abaixo, transcrição do e-mail que enviei à “colega” e da resposta dela (vai aqui do jeito que recebi). Bom, como disse aqui ontem: não me importo de ganhar (ou não) fama de antipático.

O e-mail que o blogueiro enviou:

De: Zema Ribeiro <zemaribeiro@gmail.com>
Para:
aulinda.lima@ig.com.br
Cc: Diário da Manhã <diario@jornaldiariodamanha.com.br>,robertokenard@uol.com.br, maximidia@hotmail.com, maxximidia@bol.com.br
Data: 29/03/2006 12:03
Assunto: Sobre o Diário Social de 29 de março de 2006

Aulinda,
bom dia!

Como somos “companheiros de redação”, já que escrevemos para o mesmo jornal (muito embora eu quase não pise na sede do DM), permito-me escrever-te acerca do que li em tua página, Diário Social, hoje, 29 de março.

O que li em “PALOCCIGATE” não me agrada. É claro que isso é uma opinião pessoal. Mas vamos lá, ponto a ponto, meus comentários entre colchetes. Ficou um pouco longo, mas conto com sua paciência e leitura do presente e-mail em sua totalidade.

Paloccigate I

Genten [isso é para imitar a Cissa Guimarães? Não acho que isso caiba nem em televisão, quanto mais no “embrulha-peixe”] , euzinha [você se diminui, o que, a meu ver, tira a credibilidade da coluna, da jornalista, do jornal] estou passada [outro termo que cabe no “falado”, mas no “embrulha-peixe” não fica bem] com nossa política falsa e, parafraseando meu ilustre [?] presidente do Sindicato dos Jornalistas do Maranhão, colega Leonardo Monteiro [lá, há mais de década e meia, sem avanços para a classe no Maranhão], de nossa safada Brasília.

Euzinha [de novo!] jurava que o Palocci ficaria [jurava por gostar dele no cargo? Ou por acreditar na “impunidade”?; note que estou, nesse colchete aqui, sendo irônico, a “impunidade” entre aspas]. Jurava que o homem se manteria firme e forte, ainda que sob fogo cerrado [da “oposição” e da imprensa nacional, feita por jornalistas como você], mas minha intuição feminina [“intuição feminina” não deveria ser elemento jornalístico] (ou seria torcida, somente?) não funcionou dessa vez.

O pateta [penso que o homem mereça respeito. Achei esse seu texto patético, mas nem por isso vou usar o adjetivo contra você] foi demitido, mesmo após ter pedido para continuar no cargo e não teve forças, a mesma que teve para segurar a economia, no momento de separar a vida privada da pública [se a vida pública não é separada da privada, a culpa é de profissionais como você, conforme veremos a seguir] .

Paloccigate II

Pois foi Antonio Palocci o único a pagar pelos desmandos de um presidente que não sabe o que se passa diante do seu nariz [você sabe o que é governar um país do tamanho do nosso? Assessorias servem para isso. Ou ao menos deveriam].

Cassações e acordões [o plural de “acórdão” é “acórdãos”; o de “acordo” é “acordos”; creio que a palavra usada por você não exista. Ou trata-se de um “neologismo”?] , porém, não serão suficientes para restaurar a confiança abalada da população [apesar de tudo, acredito na reeleição de Lula. E antes de qualquer coisa: não sou filiado ao PT, nem a partido nenhum, embora reconheça o grande trabalho que está sendo feito por Lula e pelo “governo do PT”; a propósito, recomendo a leitura de “Um minuto para os nossos comerciais”, no blogue do poeta Ademir Assunção, cujo endereço éhttp://zonabranca.blog.uol.com.br] e Palocci ilustra bem isso: no campo estritamente econômico o ministro fez em sua gestão o que esperava o mercado após a eleição de Lula. Poderia ter soltado mais as rédeas, mas o receio de perder a vantagem alcançada no chamado risco Brasil o fez agir com prudência até exagerada [se o fizesse – “ter soltado mais as rédeas” – você mesma o criticaria; ou talvez não, afinal você faz coluna social – ao menos é isso que me parece, pelo título da mesma – e só entrou na esfera política por… bem, eu não sei mesmo o porquê] .

A situação do ministro mostra às pessoas que querem viver da vida pública [“viver da vida pública” é coisa que ninguém devia fazer] que cada ato [da vida privada? Ou pública?] deve ser pensado dez vezes antes de sua execução [ótimo conselho, embora eu pense que os atos devam ser pensados quantas vezes necessário: cem, mil, ou às vezes seguir o dito de Chico Buarque em “Bom conselho”: “aja duas vezes antes de pensar”].

Paloccigate III

Agora, saindo do governo desmoralizado [?], Palocci abre uma crise pessoal [que deveria ser problema dele, já que é pessoal, não?] sem tamanho, coisa que euzinha [mais uma vez] não consigo entender nos homens.

O que, por todos os demônios, faz um homem bem casado, de trajetória pública, freqüentar certos locais? [aí reside o problema, Aulinda: nada encontraram para atingir Palocci na vida pública; aí foram procurar “certos locais” em sua biografia para atacá-lo. Mas eu também não sei.]

Melhor dizendo, o que fazem homens casados em certos locais? Será que não aprenderam nadinha com Bill Clinton e sua estagiária insossa?

Paloccigate IV

Não existe, meu povo, segredos de alcova [deveriam existir, mas a imprensa brasileira é uma desgraça!] nem de política, tudo se sabe, tudo se comenta e os homens, de maneira geral, parece que não pensam com a cabeça de cima (perdoem-me o trocadilho infame, mas é a mais pura verdade). [não generalize. Quem o faz, acaba caindo em contradição]

Em se tratando de escapadelas conjugais, as paredes, ou melhor, os caseiros têm ouvido. A quem é público não se é dado certos desfrutes, como dançar publicamente no Congresso em meio a uma grave situação de corrupção e julgamento de conduta [não sou a favor da dança; mas sou contra a repercussão dada a isso. A capa da Veja desta semana é ridícula; comentei sobre o assunto em meu blogue, endereço abaixo. Tenho certeza que – a dança – não é algo inédito] , nem carregar grande quantidade de dólares em trajes íntimos, nem juntar amigos dos filhos para passar uma temporada à custa do erário, como fez Lula [e por que não dar “nome aos bois” nos outros dois casos? Só Lula é citado. Cadê o nome da deputada que dançou? Cadê o nome do carregador de dólares em trajes íntimos? Isso demonstra “parcialidade”, embora eu saiba que a imparcialidade é uma quimera] .

Agora, Inês é morta e que ninguém pense que brasileiro não liga para isso. Brasileiro é conservador, tradicional, e, apesar de, entre quatro paredes, afirmar o contrário, na hora do vamos ver ele aposta no conservadorismo. [aqui você mistura a opinião do brasileiro com suas preferências sexuais. Depois não reclame de não se separar vida pública da privada]

E tenho dito! [cuidado: isso poderia fazer-me pensar que você é a “dona da verdade”]

Saindo do Paloccigate (aliás, nem comentei, mas acho infeliz essa comparação entre o “escândalo brasileiro” e o do governo americano Reagan), só mais uma coisa: na nota EM FALTA, lemos o seguinte, no terceiro parágrafo. “Todo colega deve ter a sua identificação e ficar atento, pois ela tem validade de dois anos e necessita de renovação a cada 24 meses.” Isso é óbvio, Aulinda. Tudo que tem validade de dois anos deve ser renovado de dois em dois anos, ou seja, de vinte e quatro em vinte e quatro meses. Em caso de não-renovação, deve ser jogado fora, ou não?

Cordiais e respeitosas saudações,
Zema Ribeiro
(98) 9112-1959
http://olhodeboi2.zip.net
http://olhodeboi.nafoto.net

A resposta dela

De: aulinda. lima <aulinda.lima@ig.com.br>
Para:
zemaribeiro@gmail.com
Cc: diario@jornaldiariodamanha.com.br
Data: 29/03/2006 20:30
Assunto: Re: Sobre o Diário Social de 29 de março de 2006

Zema, bom dia!!

Obrigada por seus comentários mas, como náo tenho a mesma paciência que você para comentar item por item (tenho que fazer outras coisas), farei apenas uma observação: onde você leu acordões, a palavra é acordões, de acordo grande, e não de acórdãos, como você imaginou. Dito isso, penso que o restante dos comentários devem ter seguindo a mesma linha de raciocínio, logo, respeito, mas não levarei em consideração. Ah, não me acho diminuída pelo “euzinha”, é um modo de dar leveza ao meu espaço. Outra coisa: respeito, sim, o presidente do Sindicato da minha classe, é um bravo que assumiu um lugar que críticos como você não se habilitam a fazer. Ele está lá, bem ou mal, e espero que um outro qualquer que, a seu ver, mereça o adjetivo “ilustre” apresente-se para fazer as vezes de presidente. Só para terminar, coluna social quer também generalidades, se é que você sabe o que isso significa. Mas sossegue, temos algo em comum: euznha também não queria que Palocci jogasse a toalha. Mas, fazer o quê, concorda nesse ponto?

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (com Gisa Franco, aos sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM). Coautor de "Chorografia do Maranhão" (Pitomba!, 2018) e autor de "Penúltima página: Cultura no Vias de Fato" (Passagens, 2020). Antifascista.

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