Ademir Assunção no Diário Cultural de hoje

Interrompemos nossa programação. Por uma boa causa

Ferreira Gullar ataca o Ministério da Cultura. A imprensa dá espaço aos “resmungos” – para citar o nome de seu espaço dominical na Folha de São Paulo – do poeta maranhense; já são águas passadas, mas ninguém mostra, no entanto, os feitos do MinC na gestão Gilberto Gil. Alguém pode me criticar e dizer que se trata de incompetência das assessorias etc.; mas o jornalismo não deveria preocupar-se em mostrar a verdade? Política também é cultura e por isso, senhoras e senhores, uma pausa para o assunto, pois. Com a palavra o poeta Ademir Assunção, em texto publicado em 28 de março em seu blogue (que tantas vezes já apareceu por aqui; enquanto ele mantiver sua postura inteligente, vai continuar aparecendo) http://zonabranca.blog.uol.com.br

Um minuto para os nossos comerciais

por Ademir Assunção*. Reproduzido de http://zonabranca.blog.uol.com.br

Óbvio: cada um tem suas opiniões. Cada um pensa o que quer (ou o que pode). Agora: me impressiona o fogo cerrado contra Lula. Nunca vi, em toda a minha vida, artilharia tão pesada quanto agora. Alguém aí viu? Nunca vi tanto ódio (não foi exatamente esse o termo que Lima Duarte usou em sua entrevista na Folha de São Paulo de domingo?). E diziam que a esquerda é que era raivosa. Acontece que os fodões (PSDB e PFL) que sempre mandaram nesse país não se conformam com alguém de centro-esquerda no Poder — sim, porque o PT não é totalmente de esquerda há muito tempo. Nem isso os caras se conformam. Eles querem continuar sugando o nosso sangue, gota a gota. Não se esqueçam que quem está sentando o pau é FHC — que transformou em mercado o que antes se chamava de país e migrou da esquerda, se é que algum dia foi realmente de esquerda, para o centro-direita —, Alckmin — meu Deus, um reaça da Opus Dei, travestido de bom-mocinho, o que é ainda pior — e ACM — um santo homem, como todo mundo sabe, não é? A cambada do PSDB fala em crescimento da economia. Crescimento para quem? Era o mesmo que Delfim Neto falava durante a ditadura mais pesada: primeiro o bolo precisa crescer, para depois dividir. Há 500 anos falam a mesma coisa e nunca dividiram porra nenhuma. Que tal em vez de crescer, dividir melhor? Ah, isso os caras não querem. Nem fodendo. Eles querem continuar sugando o sangue da juventude, torcendo os fodidos até virar bagaço, metendo bala se for preciso e mantendo os privilégios da corte puxasaco, incluindo aí muitos e muitos artistas do primeiríssimo escalão. O que 8 anos de governo do PSDB fez pela cultura no Estado de São Paulo? Há alguma lei parecida com a de Fomento ao Teatro? Não, tem a Sala São Paulo, para os ricaços mostrarem suas jóias diante da turba de fodidos da crackolândia. Tem muita bandidagem? Ah, metam esses desgraçados na Febem e abram mais penitenciárias no Interior. E a imprensa não dá uma linha sobre as universidades públicas que Lula está abrindo Brasil afora — em vez de penitenciárias. Não dá uma linha sobre os 112 mil alunos pobres que o Governo está pagando para estudarem nas universidades particulares. Não dá. Mesmo com todas as cagadas do governo Lula, ainda é uma possibilidade de mudança nesse país de coronéis — basta ver a aceitação que tem entre os mais fodidos. Mas os fodões não querem mudança nenhuma e jogam pesado, brothers and sisters. Muito pesado. E esse ano os vampiros de sempre vão querer sangue. Muito sangue.

* Ademir Assunção é poeta, um dos editores da Revista Coyote e escreve, constantemente, em seu blogue, coisas inteligentes assim.

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