Raduan Nassar: trinta anos de lavoura literária

[Diário Cultural de hoje; no post seguinte, pequeno trecho de “Um Copo de Cólera”, segundo livro de Raduan Nassar]

Obra ímpar, livro de estréia do paulista Raduan Nassar completa três décadas, atualíssimo. A ficção do autor é cheia de verdades; sua própria vida daria um bom livro: ele que, apesar do sucesso, abandonou a literatura para criar galinhas.

1935. 27 de novembro. Há setenta anos nascia Raduan Nassar, em Pindorama/SP. Sétimo filho de pais libaneses imigrantes, comerciantes, o menino viria a tornar-se, apesar de ter publicado apenas três livros, um dos mais importantes nomes da literatura nacional. São dele, além do livro que festejamos o trigésimo aniversário, “Um Copo de Cólera” (novela, 1978) e “Menina a Caminho” (conto, 1994).

Sua estréia, arrebatadora, se dá em 1975, com o romance “Lavoura Arcaica”, que nos apresenta uma literatura de fôlego (Raduan é capaz de passar capítulos inteiros sem fazer parágrafos), além de uma profunda preocupação com temas religiosos, notada desde a escolha dos nomes dos personagens. A publicação, que contou com a ajuda financeira do autor (nesse aspecto parece que pouca coisa mudou de lá para cá), se deu pela José Olímpio Editora.

Com “Lavoura Arcaica”, de imediato, Raduan Nassar arrebata vários prêmios no ano seguinte à sua publicação: prêmio Coelho Neto para romance (da ABL, cuja comissão julgadora tinha, entre outros, Alceu Amoroso Lima, o Tristão de Athayde), prêmio Jabuti na categoria Revelação Autor (da Câmara Brasileira do Livro) e Revelação Autor e menção honrosa (da Associação Paulista dos Críticos de Arte).

Em 2001, pelas mãos de Luiz Fernando Carvalho, sua obra de estréia vira filme, conquistando também diversos prêmios importantes, em festivais como o Rio BR, do Ministério da Cultura, Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (melhor filme do júri popular), Festival de Cinema de Brasília (onde venceu em sete categorias, entre as quais melhor filme e melhor ator, pela atuação de Selton Mello, e o prêmio ANDI, do UNICEF), entre outros.

Em “Inventário das Sombras” (Editora Record), o jornalista José Castello escreve assim: “Raduan Nassar não suportou ser um grande escritor e desistiu da literatura para criar galinhas. Trocou a criação estética, que é complexa e desregrada, pela mecânica suave da avicultura, e parece muito satisfeito com isso, tanto que, resistindo a todos os apelos, se recusa a voltar atrás em sua decisão.”

Mesmo com suas obras traduzidas para o espanhol, alemão e francês, em diversas edições, dez anos após sua estréia em livro, Nassar anuncia: abandonou a literatura (em entrevista ao “Folhetim”, à época suplemento do jornal Folha de São Paulo). O escritor não suportou superar-se e voltou atrás. E não volta mais.

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