Sobre “referendo” e “pólo siderúrgico”

Posições deste blogueiro sobre os assuntos elencados: no referendo do próximo dia 23, voto sim, voto 2 [amanhã tem passeata às 16h, saindo da Igreja da Sé até a Praça Deodoro. A organização é do Comitê Sim à Vida Sem Armas]; sobre o pólo siderúrgico, sou contrário à sua instalação na Ilha de São Luís.

Ora, um blogue é (neste caso), antes de mais nada, um laboratório. Abrimos espaço agora para Ricardo Milán, amigo que ganhei na Faculdade (ele é meu colega de turma no curso de Comunicação Social / Jornalismo da São Luís). Abaixo, dois textos dele sobre os assuntos acima.

Referendo, arma da paz

Esta semana já temos um compromisso muito importante, vamos decidir uma questão de suma relevância para a sociedade brasileira e dar um recado ao mundo. Dia 23 de outubro será realizado o referendo para que a sociedade decida se o comércio de armas de fogo e munições será extinto ou não em território brasileiro.

Na última década as mortes por armas de fogo registradas no Brasil superaram o número de vítimas de 23 conflitos armados no mundo, perdendo apenas para as Guerras Civis de Angola e da Guatemala. Nesse período morreram no Brasil 325.551 pessoas, em média 32.555 mortes por ano. Os dados fazem parte do estudo “Mortes Matadas por armas de fogo no Brasil 1979 – 2003”.

É muito importante que a sociedade informe-se, discuta, analise, e participe do processo depositando a sua opinião, mas tenham muito cuidado, pois o lobby dos grandes fabricantes de armas é enorme.  Afinal que industrial gostaria de perder um mercado tão próspero como o Brasil, com aproximadamente 100.000.000 de consumidores, inclusive com o discurso da arma que protege, alegando que o cidadão é que precisa da arma para se defender. Mas esse papel não é do estado?  Os lobbystas  da indústria de armas argumentam que quem compra arma legalmente é o “cidadão de bem”. Isto é verdade, só que precisa ser explicado à população que toda arma ilegal já foi um dia “legal”, e por alguma razão acabou entrando para o mercado negro, desta forma caindo nas mãos de bandidos. Aqui em São Luis tivemos um exemplo prático disto há algumas semanas, quando três ex-detentos mataram um vigilante para roubar-lhe a arma e assim usá-la em assaltos por toda a cidade. O que nós precisamos é pressionar as autoridades para que cumpram o seu papel e nos dêem segurança. Vamos mostrar sensatez e maturidade, e dar o primeiro passo para a erradicação das armas de fogo no mundo.

 

Progresso, para quem?

O Governo do Estado, a Prefeitura de São Luis e a Companhia Vale do Rio Doce tem se esforçado bastante para a implantação do pólo siderúrgico na ilha de São Luis. Com um discurso de como esta implantação traria empregos e aumentaria sensivelmente a pauta de exportações do Estado, os dirigentes estaduais tentam mascarar os estragos que um projeto desta magnitude traria ao meio ambiente de toda a ilha de São Luis.

Para implantar as três siderúrgicas em São Luis seria necessário mudar a lei de zoneamento da região na qual o projeto seria instalado, que atualmente é registrada como área rural e residencial. Para fazer estas mudanças, a câmara municipal tem que realizar audiências públicas para discutir essa nova lei de zoneamento. Isso só como pré requisito técnico, e as questões sociais? O que fazer com as pessoas que moram nestas comunidades, como mudar a sua aptidão, o seu modo de vida, seria tão simples assim?  Estas perguntas precisam ser exaustivamente debatidas. No entanto se não fosse a pressão dos movimentos sociais tudo já teria sido arranjado a toque de caixa, porque infelizmente as autoridades não têm preocupação alguma com os impactos sociais e ambientais decorrentes da implantação desse projeto.

Não somos contra o progresso, mas precisamos encontrar um local apropriado para a instalação de um projeto tão grande como este, um local no qual os danos sociais e ambientais sejam absorvidos de uma forma menos traumatizante. A siderurgia é uma industria altamente poluente e danosa ao meio ambiente, principalmente de um ecossistema frágil como é o caso da ilha de São Luis.

O governo do estado alardeia a criação de pelo menos doze mil empregos, mas se esquece de levar em conta que terá que deslocar para outra área dez mil famílias que moram e tiram seu sustento daquele lugar. Importante frisar que eles são agricultores, e não metalúrgicos, ou seja, em que serão beneficiados? Alem de perder seu vínculo com a terra onde nasceram, perderam seus empregos e de seus familiares que tem como aptidão a lavoura. Não podemos deixar que aconteça com estas famílias o que aconteceu com as comunidades quilombolas de Alcântara, quando da instalação do Centro Espacial, e que até hoje sofrem as conseqüências de sua remoção.

É importante que toda a sociedade esteja vigilante a este processo de criação do pólo siderúrgico, pois já foram detectados inclusive problemas relativos ao estudo de impactos ambientais apresentado pela companhia Vale do Rio Doce. Segundo fontes do Movimento Reage São Luis, chegaram ao ponto de falsificar os mapas da região, omitindo as 57 nascentes que há na região em que seriam implantadas as fábricas. Isso mostra exatamente o grau de comprometimento que os interessados na vinda do pólo tem com o meio ambiente. Em uma época que todas as nações desenvolvidas estão banindo as chamadas “industrias sujas”, o governo do Maranhão quer trazer para São Luis 80% de toda a produção de aço do Brasil, numa demonstração clara de quem está na contramão dos anseios de uma sociedade evoluída.

É imprescindível a mobilização de todos para que esta desastrosa iniciativa de implantação não seja concretizada. Para isso nós jornalistas temos o importante papel de esclarecer a população de todos os possíveis danos que poderão ser causados  com a vinda deste projeto para a ilha de São Luis, como o aumento de chuva ácida, a possibilidade de contaminação do solo e a geração de resíduos sólidos.

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