Semana Mundial da Alimentação

por Franklin Douglas*

A partir deste Domingo (16 de outubro) – Dia Mundial da Alimentação, estende-se, Brasil afora, a Semana Mundial da Alimentação (16 a 22 de outubro). Há 25 anos esta data vem sendo referência comemorativa, incentivada pela Organização da ONU para a Agricultura e a Alimentação (FAO). A FAO foi criada em 16 de outubro de 1945 e comemora 60 anos, este ano.

O objetivo é ter um período no qual governos e sociedade voltem sua atenção para a fome e a insegurança alimentar que afetam centenas de milhões de pessoas. Para que atentem e debatam publicamente o direito humano à alimentação. Uma vez que nos referimos a situação de 826 milhões de pessoas que passam fome no mundo, a 156 milhões de crianças menores de cinco anos que sofrem de desnutrição grave.

No Brasil, este ano de 2005 traz uma especial mobilização. A partir do chamado do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), governos e entidades organizam atividades várias com o fim de construir junto à população brasileira a luta por este direito a uma alimentação saudável, indissociável dos demais Direitos Humanos.

É neste sentido que se busca socializar que a segurança alimentar é mais do que comer e beber. Não adianta ao ser humano comer arroz e ovo, ovo e arroz, todos os dias, pois não é somente o elemento quantidade que explica o estágio de segurança alimentar e nutricional, mas também a qualidade. Portanto, quantidade e qualidade são as duas faces da mesma moeda chamada alimentação saudável. É assim que desnutrição e obesidade expressam o desequilíbrio de um destes componentes.

É isto que, também, expressam as Diretrizes Voluntárias da ONU para o direito humano à alimentação. Daí por que a Semana Mundial da Alimentação traz consigo uma ampla divulgação deste documento e convida poder público, entidades e, especialmente, cidadãos e cidadãs a subscrevê-la. O simples fato de assinar expressa simbolicamente o compromisso – e, anteriormente, a consciência do problema – de que a fome e a miséria devem ser pautados, refletidos e ter solução sustentável almejada.

Se a luta por segurança alimentar e nutricional será presente enquanto o sistema que a gera existir, é crescente a consciência de que tal sistema só acabará mediante uma organizada força social que coloque em xeque a ele e suas conseqüências: desemprego, miséria, violência, falta de educação, saúde, cultura. O povo brasileiro tem fome de comida, mas também de direitos e de beleza. Ampliar a luta por direitos é potencialmente diminuir a exclusão social que faz de homens e mulheres objetos descartáveis, às vezes apenas visíveis a muitos pelo impacto de palafitas ou crianças pedintes nos semáforos.

Esta luta foi o legado deixado para nossa geração por Josué de Castro e Betinho, para ficar apenas em dois símbolos. Que esta semana mundial da alimentação seja um despertar de mais corações e mentes por uma sociedade justa, solidária, fraterna, sem fome e desigualdades. Se um tiver sido tocado, sobretudo um jovem (cercado que está pelo mundo do consumo), já estaremos sendo exitosos!

* Franklin Douglas é jornalista, professor universitário e preside o Conselho Estadual de Segurança Alimentar (CONSEA-MA); e-mail:franklindouglas@elo.com.br

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