Arquivo mensal: outubro 2005

Toque

Um toque ligeiro: dia 5, sábado, às 21h30min, na Concha Acústica da Lagoa da Jansen, “Sambafo: onde tudo começou”, show com Chico Maranhão, Renato Teixeira e Sérgio Habibe, acompanhados dos músicos Luiz Cláudio, Marquinhos Lussaray e Léo Capiba. Ingressos: R$ 15,00 (metade para estudantes), à venda na Play Som (Shopping Monumental) e Thaj Café (Edifício Multiempresarial). Mai(ore)s detalhes por aqui em breve.

Só você!

Amor demais, poesia de menos. Nem minha melhor literatura chegará aos pés do que sinto por ti, já disse. Então vou me usando das penas alheias. Hoje vamos de Lenine e Carlos Rennó:

Todas Elas Juntas Num Só Ser

(trecho)

Não canto mais Bebete nem Domingas
Nem Xica nem Tereza, de Ben Jor,

Nem Drão nem Flora, do baiano Gil;
Não canto mais Luiza, do maior;

Já não homenageio Januária,

Joana, Ana, Bárbara, de Chico;

Nem Yoko, a nipônica de Lennon;
Nem a cabocla, de Tinoco e de Tonico;

Nem a tigresa nem a vera gata
Nem a branquinha, de Caetano;
Nem mesmo a linda flor de Luiz Gonzaga,
Rosinha, do sertão pernambucano;
Nem Risoflora, a flor de Chico Science –
Nenhuma continua nos meus planos.
Nem Kátia Flávia, de Fausto Fawcett;

Nem Anna Júlia, do Los Hermanos.

Só você,
Hoje eu canto só você;
Só você,
Que eu quero porque quero, por querer.

(…)

Só você,
Mais que tudo e todas, só você;
Só você,
Que é todas elas juntas num só ser.

Lembrei de Reuben (link ao lado) ao ler a missiva…

(…)

Você quer escrever. Certo, mas você quer escrever? Ou todo mundo te cobra e você acha que tem que escrever? Sei que não é simplório assim, e tem mil coisas outras envolvidas nisso. Mas de repente você pode estar confuso porque fica todo mundo te cobrando, como é que é, e a sua obra? Cadê o romance, quedê a novela, quedê a peça teatral? DANEM-SE, demônios. Zézim, você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco. Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, “apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo”. Isso é escrever. Tirar sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a “função social”, nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: um sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida.

(…)

E ler, ler é alimento de quem escreve. Várias vezes você me disse que não conseguia mais ler. Que não gostava mais de ler. Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho – e posso estar enganado – que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Ocê sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente.

(…)

Caio Fernando Abreu, em carta ao jornalista e grande amigo José Márcio Penido, em 22 de dezembro de 1979. Tá no “Morangos Mofados”. [os itálicos não são meus]

Segunda reportagem da série “Pólo Siderúrgico”*

Comunidade do Taim rejeita Pólo Siderúrgico

por Ed Wilson Araújo**

A trilha que liga Rio dos Cachorros ao Taim, passando por Limoeiro, impressiona pela abundância de brejos arrodeados de buritizeiros, juçarais e uma variedade de fruteiras nativas, contrastando com trechos de grandes jazidas de areia e pedra. “Esse caminho lembra muito a nossa infância, as brincadeiras e as lendas da nossa cultura”, recordam as jovens Carla dos Santos Dias, Deusimar Martins (Kekê) e Graciela Pires da Silva, indicando a gruta de pedra erguida no meio da mata onde celebram Nossa Senhora da Conceição, uma das tradições no festivo calendário religioso da zona rural de São Luís.

Mas todo esse ambiente bucólico e lúdico corre o risco de desaparecer. Rio dos Cachorros, Limoreiro, Taim e mais oito comunidades estão na área pretendida para a instalação do Pólo Siderúrgico. O empreendimento de U$ 1,5 bilhão na fase inicial é liderado pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), em parceria com a corporação chinesa Baosteel, e visa instalar na capital maranhense, próximo ao porto do Itaqui, um complexo de três usinas e duas gusarias em uma área de 2.471 hectares onde moram cerca de 14 mil pessoas em 11 comunidades rurais. Cada usina teria capacidade de produzir 7,5 milhões de toneladas anuais de placas de aço por ano, totalizando 22,5 milhões de toneladas para exportação (72% da produção brasileira e 2,3% do aço fabricado no mundo).

A meta é gerar 10.500 empregos diretos e indiretos, mas impacto ambiental e social é gravíssimo. Instituições científicas como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) chegaram a divulgar uma moção repudiando o empreendimento, alertando para a poluição do ar, do solo e do subsolo. A resistência ao pólo é coordenada pelo movimento Reage São Luís, formado por várias entidades sindicais e populares, estudantes e líderes das comunidades. A maioria prefere o pólo no continente e há quem não queira as fábricas em nenhum lugar do Maranhão.

Diminuir não resolve 

O pólo é defendido pelos governos federal e estadual e acolhido pela Prefeitura de São Luís. Após a realização de 11 audiências públicas, a Câmara de Vereadores está apreciando o projeto encaminhado pela Prefeitura para modificar a Lei de Uso e Ocupação do Solo Urbano, transformando a zona residencial rural em zona industrial. O movimento Reage São Luís argumenta que mudanças na lei de ocupação urbana têm de passar, primeiro, pela revisão do Plano Diretor, conforme recomenda o Estatuto das Cidades. Após o trâmite em quatro comissões temáticas e no plenário na Câmara, o projeto vai enfrentar ainda a fase de licenciamento ambiental.

No transcurso das audiências públicas, o Reage computa vitória parcial no debate público. A Câmara está cogitando a redução da área do pólo de 2.471 hectares para 1.000 hectares, com a instalação de uma só siderúrgica. O pescador Alberto Cantanhede Lopes, o Beto, uma das lideranças do Taim, afirma que a redução da área não resolve o problema. “A gente sabe que implantando uma parte no futuro virá a proposta de trazer o restante”, citando o exemplo de expansão da Alumar, a fábrica multinacional de alumínio fincada em São Luís na década de 1980. “A permanência é vital para as comunidades, mas é vital também para a ilha de São Luís por conta dos recursos que nós temos. Nessa região foi detectada em torno de 130 nascentes e mais algumas áreas de recarga aqüífera. Com um empreendimento desse tipo a cidade de São Luís perderia essa reserva hídrica. Então nós teríamos um grande problema com o abastecimento de água no futuro, visto que o rio Itapecuru está também com o seu potencial e a qualidade comprometido”, adverte.

As estimativas do pólo prevêem um consumo de 2.400 litros de água por segundo, captados do rio Itapecuru, correspondente ao abastecimento de toda a população de São Luís. Durante a realização das audiências públicas, o mapa apresentado pela Prefeitura omitiu as 123 nascentes de rio na área, que são protegidas pelo Código Florestal (Lei 4.771/65). As cabeceiras dos rios e um raio de 50 metros em torno delas são “áreas de preservação permanente”, argumenta o promotor do Meio Ambiente, Fernando Barreto, com base no código. A apresentação do mapa falso, omitindo as nascentes, levou os integrantes do movimento Reage São Luís a questionar a validade das audiências públicas.

Integrante do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) e do Movimento Nacional de Pescadores, Beto Lopes aponta a gravidade dos impactos sociais, ambientais e econômicos do pólo: remoção de pessoas, inchaço da população e poluição de toda a ilha de São Luís. A área pretendida para o pólo é contornada por manguezais e entrecortada de nascentes. As condições geográficas permitem aos moradores o acesso a múltiplas formas de trabalho: pesca, maricultura, extrativismo, roças de subsistência, criação de abelhas e pequenos animais que integram a base alimentar da população.

Taim não quer

A rejeição ao pólo é comum à quase totalidade dos moradores do Taim. Maria da Conceição Cruz, 66 anos, 16 filhos, ressalta a tranqülidade, a liberdade e a paz do lugar onde nasceu e não quer sair. Os argumentos são endossados por outra Maria, a da Conceição Ramos, 51 anos, 10 filhos e 13 netos, todos nascidos no Taim. “A liberdade aqui é tudo para nós. O pólo vai ser um transtorno. Aqui a gente vive tranqüilo, em paz, não tem assalto, nada que incomode. Saindo daqui para outro local que a gente não conhece nós não vamos ter paz. Até nós se acostumar a gente já morreu de fome. Eu acho que eu vou morrer e não vou me acostumar”, vaticina.

Taim é uma das mais antigas comunidades da zona rural de São Luís, com cerca de 150 anos, remanescente da escravatura, onde ainda existem ruínas de construções típicas da época. O lavrador José Reinaldo Moraes Ramos, 44 anos, é da sexta geração familiar. “Aqui nós temos paz, água com fartura e muitos recursos naturais. Isso faz com que a gente lute por nossa moradia, que é ficar aqui na nossa comunidade”, afirma, temeroso diante da possibilidade de ser removido. O local indicado pelo Governo do Estado é próximo ao aterro sanitário da Ribeira. “A remoção seria desastroso para nós e para o restante da população. Para onde for um grande contingente de pessoas haverá uma disputa de espaço, um acirramento de conflitos. O bairro da Liberdade, por exemplo, se tornou violento com o crescimento de populações que vieram de outras regiões, como os removidos do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). A disputa pelo espaço, pelo trabalho, gera certamente esse conflito”, explica Beto Lopes.

Saída frustrada 

Os moradores temem o destino de Flor de Liz Santana, a Florzinha, 70 anos. Ela morava em Paquatíua, de onde foi remanejada nos anos 80, época da implantação da Alumar. Com o dinheiro da indenização, mudou-se com a família para a Vila Sarney. O marido logo comprou um carro, mas ninguém sabia dirigir. Então contrataram um motorista. Entre idas e vindas pela estrada precária, o carro deteriorou, o dinheiro acabou e ela teve de voltar para o Taim, onde contou com a solidariedade dos moradores. Hoje viúva, lamenta a aventura e não recomenda a indenização para ninguém. “Cada qual pegou uma mixaria, não deu para enriquecer, não deu para hoje em dia ter nada de lá. Eu não tenho vontade e não penso em sair. Nós já estamos acostumados, nós dorme tranqüilo, é uma comunidade muito unida”, recomenda.

Entre Rio dos Cachorros e Taim fica o povoado Limoeiro, onde vivem seis famílias do mesmo tronco, lideradas por Lionel Eduardo Mesquita, 77 anos, dono de uma casa de farinha partilhada pelos lavradores. Na chegada da reportagem, um grupo de homens e mulheres espremia e torrava oito paneiros de mandioca. O terreno com 294 hectares de Limoeiro, segundo Beto Lopes, era um aforamento em nome de Vicência Sirina Mesquita, tia de Lionel, mas foi posteriormente negociado com o ex-prefeito de São José de Ribamar, Jota Câmara. A ingerência de terceiros na área deixa dúvidas na cabeça de Lionel Mesquita em relação ao pólo siderúrgico. “Aqui não é meu. Sou encarregado, só tomo de conta. Eu fico entre uma cruz e outra. Não sou contra nem a favor, porque eu nasci e me criei aqui nesse lugar. Minha mãe, meu pai, meus avós todos foram criados aqui. Não tenho do que me queixar. Só quero os meus direitos”, desconversa.

Disputa política 

Enquanto o projeto do pólo tramita nas comissões temáticas da Câmara de Vereadores, o movimento Reage São Luís prossegue no trabalho de esclarecimento sobre os impactos do empreendimento. “Continuam as oficinas nas escolas, nas comunidades, universidades e onde formos chamados. A nossa perspectiva é de estarmos lá na Câmara e conversar com os vereadores para que eles sintam o peso da responsabilidade que eles estão assumindo ao votar esse projeto de lei. A decisão da Câmara vai alterar a vida da população de São Luís, da cidade inteira. É nessa decisão que a gente está vigilante”, avisa Lopes.

A instalação do pólo tem fortes impactos também na disputa política no Maranhão. A Vale pressiona o governador José Reinaldo (PSB) a acelerar a desocupação da área. Reinaldo está rompido com o grupo Sarney, que tem a senadora Roseana (PFL) como pré-candidata ao governo em 2006. Entravado na legislação, rejeitado pelas comunidades e pela sociedade civil, o projeto perde vigor, mas ambos os grupos políticos disputam o mérito de aprová-lo para virar fato político na campanha eleitoral do próximo ano.

*publicada no Jornal Pequeno em 21/10/2005
**Ed Wilson Araújo é jornalista e professor universitário
[foto: http://olhodeboi.nafoto.zip.net]

Vermelho paixão

Doei-me todo para você. E não aceito devolução de mim mesmo. Estou apaixonado. Do gasto solado do pé, perambulando, bar em bar, por aí, ao último fio de cabelo, crescendo, por que você gosta assim, para puxar nos beijos mais quentes. A vontade é te ver todo dia, toda hora. Quando não acontece, fico mal. Nada mais me importa: trabalho, estudos, diversão. Diversão só me importa se você estiver junto. Juntinho, melhor dizendo. Diversão é estar contigo. Nem me importo mais se, no bar, a música é ruim quando estamos juntos. O que importa, sinceramente, já disse, é estar contigo. É tudo o que me importa. É tudo.

[para Ela. Ela sabe quem é. Vocês saberão em breve. Não sei o que é isso: início de algo, trecho de algo, ou se ao menos é algo. Falo do texto. Não sei se continuarei, se vou mexer, não sei. A paixão é tanta que a minha melhor literatura não conseguirá retratar fielmente os meus sentimentos. Trecho de mensagem enviada a ela, ontem, via celular (só para não deixar de comentar, aqui, hoje, o referendo de ontem): “Voto sim, voto 2, duas vezes: sim no referendo e sim ao nosso amor, bonito e infinito”. Espero que o “sim”, no caso de nosso amor, vença]

Rapidim…

Correndo. Blogando só pra não perder o vício. Com calma, só lá pra segunda-feira, creio. Terminei a leitura de Memória de Minhas Putas Tristes, mais recente do Gabriel García Márquez. Em breve escrevo sobre ele por aqui. Só antecipo: o livro fala de paixão. Parece um pouco comigo. Sim, estou apaixonado. Até!

***

Tá rolando a I Conferência Municipal de Cultura (programação completa num postabaixo); no auditório central da UFMA.

Festejem, essa é a ordem!

Um toque: dentro da programação da III Semana Nacional Pela Democratização da Comunicação, rola uma festa hoje no ChezMoi Cyber Bar (Rua do Giz, em frente à Praça da Faustina). Bruno Barata e Pataugaza (poetas linkados ao lado) tiram um som que só vendo/ouvindo pra crer. Às 20h. Ingressos à venda no local e/ou com a estudantada.

Sobre “referendo” e “pólo siderúrgico”

Posições deste blogueiro sobre os assuntos elencados: no referendo do próximo dia 23, voto sim, voto 2 [amanhã tem passeata às 16h, saindo da Igreja da Sé até a Praça Deodoro. A organização é do Comitê Sim à Vida Sem Armas]; sobre o pólo siderúrgico, sou contrário à sua instalação na Ilha de São Luís.

Ora, um blogue é (neste caso), antes de mais nada, um laboratório. Abrimos espaço agora para Ricardo Milán, amigo que ganhei na Faculdade (ele é meu colega de turma no curso de Comunicação Social / Jornalismo da São Luís). Abaixo, dois textos dele sobre os assuntos acima.

Referendo, arma da paz

Esta semana já temos um compromisso muito importante, vamos decidir uma questão de suma relevância para a sociedade brasileira e dar um recado ao mundo. Dia 23 de outubro será realizado o referendo para que a sociedade decida se o comércio de armas de fogo e munições será extinto ou não em território brasileiro.

Na última década as mortes por armas de fogo registradas no Brasil superaram o número de vítimas de 23 conflitos armados no mundo, perdendo apenas para as Guerras Civis de Angola e da Guatemala. Nesse período morreram no Brasil 325.551 pessoas, em média 32.555 mortes por ano. Os dados fazem parte do estudo “Mortes Matadas por armas de fogo no Brasil 1979 – 2003”.

É muito importante que a sociedade informe-se, discuta, analise, e participe do processo depositando a sua opinião, mas tenham muito cuidado, pois o lobby dos grandes fabricantes de armas é enorme.  Afinal que industrial gostaria de perder um mercado tão próspero como o Brasil, com aproximadamente 100.000.000 de consumidores, inclusive com o discurso da arma que protege, alegando que o cidadão é que precisa da arma para se defender. Mas esse papel não é do estado?  Os lobbystas  da indústria de armas argumentam que quem compra arma legalmente é o “cidadão de bem”. Isto é verdade, só que precisa ser explicado à população que toda arma ilegal já foi um dia “legal”, e por alguma razão acabou entrando para o mercado negro, desta forma caindo nas mãos de bandidos. Aqui em São Luis tivemos um exemplo prático disto há algumas semanas, quando três ex-detentos mataram um vigilante para roubar-lhe a arma e assim usá-la em assaltos por toda a cidade. O que nós precisamos é pressionar as autoridades para que cumpram o seu papel e nos dêem segurança. Vamos mostrar sensatez e maturidade, e dar o primeiro passo para a erradicação das armas de fogo no mundo.

 

Progresso, para quem?

O Governo do Estado, a Prefeitura de São Luis e a Companhia Vale do Rio Doce tem se esforçado bastante para a implantação do pólo siderúrgico na ilha de São Luis. Com um discurso de como esta implantação traria empregos e aumentaria sensivelmente a pauta de exportações do Estado, os dirigentes estaduais tentam mascarar os estragos que um projeto desta magnitude traria ao meio ambiente de toda a ilha de São Luis.

Para implantar as três siderúrgicas em São Luis seria necessário mudar a lei de zoneamento da região na qual o projeto seria instalado, que atualmente é registrada como área rural e residencial. Para fazer estas mudanças, a câmara municipal tem que realizar audiências públicas para discutir essa nova lei de zoneamento. Isso só como pré requisito técnico, e as questões sociais? O que fazer com as pessoas que moram nestas comunidades, como mudar a sua aptidão, o seu modo de vida, seria tão simples assim?  Estas perguntas precisam ser exaustivamente debatidas. No entanto se não fosse a pressão dos movimentos sociais tudo já teria sido arranjado a toque de caixa, porque infelizmente as autoridades não têm preocupação alguma com os impactos sociais e ambientais decorrentes da implantação desse projeto.

Não somos contra o progresso, mas precisamos encontrar um local apropriado para a instalação de um projeto tão grande como este, um local no qual os danos sociais e ambientais sejam absorvidos de uma forma menos traumatizante. A siderurgia é uma industria altamente poluente e danosa ao meio ambiente, principalmente de um ecossistema frágil como é o caso da ilha de São Luis.

O governo do estado alardeia a criação de pelo menos doze mil empregos, mas se esquece de levar em conta que terá que deslocar para outra área dez mil famílias que moram e tiram seu sustento daquele lugar. Importante frisar que eles são agricultores, e não metalúrgicos, ou seja, em que serão beneficiados? Alem de perder seu vínculo com a terra onde nasceram, perderam seus empregos e de seus familiares que tem como aptidão a lavoura. Não podemos deixar que aconteça com estas famílias o que aconteceu com as comunidades quilombolas de Alcântara, quando da instalação do Centro Espacial, e que até hoje sofrem as conseqüências de sua remoção.

É importante que toda a sociedade esteja vigilante a este processo de criação do pólo siderúrgico, pois já foram detectados inclusive problemas relativos ao estudo de impactos ambientais apresentado pela companhia Vale do Rio Doce. Segundo fontes do Movimento Reage São Luis, chegaram ao ponto de falsificar os mapas da região, omitindo as 57 nascentes que há na região em que seriam implantadas as fábricas. Isso mostra exatamente o grau de comprometimento que os interessados na vinda do pólo tem com o meio ambiente. Em uma época que todas as nações desenvolvidas estão banindo as chamadas “industrias sujas”, o governo do Maranhão quer trazer para São Luis 80% de toda a produção de aço do Brasil, numa demonstração clara de quem está na contramão dos anseios de uma sociedade evoluída.

É imprescindível a mobilização de todos para que esta desastrosa iniciativa de implantação não seja concretizada. Para isso nós jornalistas temos o importante papel de esclarecer a população de todos os possíveis danos que poderão ser causados  com a vinda deste projeto para a ilha de São Luis, como o aumento de chuva ácida, a possibilidade de contaminação do solo e a geração de resíduos sólidos.

Mariana Bradford

Em agosto, essa carioquinha escreveu em seu blogue sobre o livreto “Uma crônica e um punhado de poemas de amor crônico”. Texto elogioso, me fez contente enfim. Sincero, sei. E ela terminava o post assim: “Ah, como invejo quem sabe escrever poemas!”. E viamessenger, a gente conversava, e eu sempre elogiava a prosa dela (link ao lado, confiram!) e pedia que me mandasse poemas, o que nunca fez. Pois achei o rápido abaixo por lá e o copiei aqui.

CORROMPIDA

Menina atrevida
Fez de tua rosa
Cor rompida

Matinê

“Todo mundo já brincou na rua”. Assim, com o tema A turma da rua, começamos o convite aos colaboradores da 2ª edição do Matinê Gafieiras, nosso especial infantil para adultos. O plano era simples: registrar a infância de diferentes épocas por meio de histórias de turmas da rua, saber das músicas e sons que serviram de trilha sonora para todo tipo de aventura, e depois jogar nas mãos de artistas gráficos que ilustrariam tudo isso. Foi o que fizemos e a caixa de entrada encheu. Alguns foram para outros lados, mas o traçado da memória é assim mesmo, sinuoso, e um tema pode ficar apertado como sapato novo. Apresentamos, então, a rua do Matinê 2005.

Esse texto aí é o de apresentação da nova edição do Matinê Gafieiras. Cheguei lá viablogue do Marcelino Freire. E clicando aqui você lê o texto do maranhense Celso Borges.

Sobre gavetas e links…

Andei arrumando as gavetas da alma. Joguei fora tudo o que não presta. Penso. Posso dizer-me hoje, um homem feliz, apesar de algumas coisas ainda por resolver. Tipo, o que joguei fora, das gavetas, aguarda pacientemente pela passagem do carro de lixo.

Arrumando as gavetas aqui do blogue: os links aí ao lado agora estão em ordem alfabética.

I Conferência Municipal de Cultura de São Luís do Maranhão

Confira aqui a programação completa. Para maiores informações:conferenciamunicipaldeculturaslz@yahoo.com.br, zemaribeiro@gmail.com
19/10/2005, quarta-feira
19h – Solenidade de abertura (Auditório Central – UFMA)
· Assinatura do protocolo de intenções pelo Prefeito de São Luís, Excelentíssimo Sr. Tadeu Palácio
19h30min – Conferência: “Plano Nacional da Cultura”
· Márcio Meira (Secretário de Articulação Institucional do Ministério da Cultura)

20/10/2005, quinta-feira
8h15min – Mesa redonda (Auditório Central – UFMA): “Educação, comunicação e cultura”
Palestrante: Prof. Dr. Gilmar de Carvalho (Comunicação Social/UFC)
Coordenador: Prof. Dr. Arão Paranaguá de Santana (Artes/UFMA)
Debatedores: Profª. Drª. Ester Marques (Comunicação Social/UFMA) e Humberto de Maracanã (Produtor Cultural)10h – intervalo
10h30min – Grupos de trabalho (Centro de Ciências Humanas (CCH) – UFMA)
· GT 1 – Comunicação e cultura
· GT 2 – Educação e cultura
13h – almoço
14h30min – Mesa redonda (Auditório Central – UFMA): “Memória e patrimônio cultural”
Palestrante: Antonio Vieira (Doutourando em Antropologia, Universidade de Barcelona)
Coordenador: Jeovah França (Especialista em Políticas Culturais, Poeta e Pesquisador)
Debatedores: Margareth Figueiredo (Especialista em Museologia, PRODETUR) e Ananias Martins (Mestre em História, PRODETUR-MA)
16h – intervalo
16h30min – Mesa redonda (Auditório Central – UFMA): “A cultura como direito”
Palestrante: Bernardo Novaes da Mata Machado (Mestre em Ciências Sociais, Cientista Político do Centro de Estudos Históricos e Culturais Fundação João Pinheiro/MG)
Coordenadora: Profª. Drª. Arleth Santos Borges (Ciências Políticas/UFMA)
Debatedores: Luís Fernando Cabral Barreto Junior (Promotor, Titular da Promotoria de Justiça Especializada na Proteção do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural) e Joberval Bertoldo (Vereador, Câmara Municipal de São Luís)18h – Grupos de trabalho (Centro de Ciências Humanas (CCH) – UFMA)
· GT 3 – Memória
· GT 4 – Plano diretor para a cultura
· GT 5 – Cultura e cidadania
20h – Atração artística

21/10/2005, sexta-feira
8h15min – Mesa redonda (Auditório Central – UFMA): “Economia da Cultura”
Palestrante: Luis Carlos Prestes Filho (Coordenador do Núcleo de Estudos de Economia da Cultura da Incubadora Cultural Gêneses PUC-Rio)
Coordenadora: Maria do Socorro Araújo (Secretária Adjunta da SETUR – Secretaria Municipal de Turismo de São Luís)
Debatedores: Itevaldo Junior (jornalista, Fórum Municipal de Cultura de São Luís), Jaubas Alencar (Gerente de Desenvolvimento Territorial do Banco do Nordeste – BNB/MA) e Letícia  Franco (CVRD)
10h – intervalo
10h30min – Grupos de trabalho (Centro de Ciências Humanas (CCH) – UFMA)
· GT 6 – Geração de trabalho e renda na área cultural
· GT 7 – Mecanismos de financiamento culturais público e privado
13h – Almoço
14h30min – Mesa redonda (Auditório Central – UFMA): “Gestão pública da cultura”
Palestrante: Hamilton Faria (Poeta, Mestre em Ciências Sociais, Instituto Polis, Fórum Intermunicipal de Cultura (FIC), Faculdade de Artes Plásticas – FAP/SP)
Coordenador: Josias Sobrinho (Produtor Cultural, Poeta e Compositor)
Debatedores: Lúcia Nascimento (Produtora Cultural e Atriz, FUNC), Joãozinho Ribeiro (Especialista em Propriedade Intelectual, Poeta, Compositor, Fórum Municipal de Cultura de São Luís)
16h – intervalo
16h30min – Grupos de trabalho (Centro de Ciências Humanas (CCH) – UFMA)
· GT 8 – Processos de participação popular
· GT 9 – Sistema municipal de cultura
18h30min – Atração artística

22/10/2005, sábado
8h30min – Plenária e relatório final (Auditório Central – UFMA)
12h – Encerramento

Semana Mundial da Alimentação

por Franklin Douglas*

A partir deste Domingo (16 de outubro) – Dia Mundial da Alimentação, estende-se, Brasil afora, a Semana Mundial da Alimentação (16 a 22 de outubro). Há 25 anos esta data vem sendo referência comemorativa, incentivada pela Organização da ONU para a Agricultura e a Alimentação (FAO). A FAO foi criada em 16 de outubro de 1945 e comemora 60 anos, este ano.

O objetivo é ter um período no qual governos e sociedade voltem sua atenção para a fome e a insegurança alimentar que afetam centenas de milhões de pessoas. Para que atentem e debatam publicamente o direito humano à alimentação. Uma vez que nos referimos a situação de 826 milhões de pessoas que passam fome no mundo, a 156 milhões de crianças menores de cinco anos que sofrem de desnutrição grave.

No Brasil, este ano de 2005 traz uma especial mobilização. A partir do chamado do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), governos e entidades organizam atividades várias com o fim de construir junto à população brasileira a luta por este direito a uma alimentação saudável, indissociável dos demais Direitos Humanos.

É neste sentido que se busca socializar que a segurança alimentar é mais do que comer e beber. Não adianta ao ser humano comer arroz e ovo, ovo e arroz, todos os dias, pois não é somente o elemento quantidade que explica o estágio de segurança alimentar e nutricional, mas também a qualidade. Portanto, quantidade e qualidade são as duas faces da mesma moeda chamada alimentação saudável. É assim que desnutrição e obesidade expressam o desequilíbrio de um destes componentes.

É isto que, também, expressam as Diretrizes Voluntárias da ONU para o direito humano à alimentação. Daí por que a Semana Mundial da Alimentação traz consigo uma ampla divulgação deste documento e convida poder público, entidades e, especialmente, cidadãos e cidadãs a subscrevê-la. O simples fato de assinar expressa simbolicamente o compromisso – e, anteriormente, a consciência do problema – de que a fome e a miséria devem ser pautados, refletidos e ter solução sustentável almejada.

Se a luta por segurança alimentar e nutricional será presente enquanto o sistema que a gera existir, é crescente a consciência de que tal sistema só acabará mediante uma organizada força social que coloque em xeque a ele e suas conseqüências: desemprego, miséria, violência, falta de educação, saúde, cultura. O povo brasileiro tem fome de comida, mas também de direitos e de beleza. Ampliar a luta por direitos é potencialmente diminuir a exclusão social que faz de homens e mulheres objetos descartáveis, às vezes apenas visíveis a muitos pelo impacto de palafitas ou crianças pedintes nos semáforos.

Esta luta foi o legado deixado para nossa geração por Josué de Castro e Betinho, para ficar apenas em dois símbolos. Que esta semana mundial da alimentação seja um despertar de mais corações e mentes por uma sociedade justa, solidária, fraterna, sem fome e desigualdades. Se um tiver sido tocado, sobretudo um jovem (cercado que está pelo mundo do consumo), já estaremos sendo exitosos!

* Franklin Douglas é jornalista, professor universitário e preside o Conselho Estadual de Segurança Alimentar (CONSEA-MA); e-mail:franklindouglas@elo.com.br