Porque te amo

 

Meu amor.

Hoje, acordei encapetado. E me ganiu, profunda, alta, uma vontade de brigar contigo, te chutar a barriga, sua marafona engalicada! Vontade, não: gana. Urrar e vomitar sobre você. Você e tu. Mijar na tua cabeça, tronco e membros, te socar contra a parede, te fazer sangue. Ao te beijar ficou perdido de amor é o cacete. Pelas manhãs tu és a vida a cantar é uma pinóia, uma ova, uma bosta. A tua cara decadentosa parece o mapa do Chile, estrepe velho, tralha, cadela arrombada, esmerdeada, meu horror.

Mas és para ser entendida só por aqueles que não tiveram dinheiro nem para comer um prato feito. E, isto sim, é a pior das sacanagens.

E eu te bato porque te amo.

[João Antonio num pré-algo em “Ô, Copacabana” (1978). Notas do blogueiro: 1) comecei a ler JA por influência de outro João, o Paulo Cuenca; 2) a citação ao Chile no texto nada tem a ver com a goleada brasileira de hoje à tarde; e 3) o título aí é do post, já que no livro o texto não o tem.]

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