Seus dois seios

Conheci Frederico Luiz ao começar a trabalhar na Faculdade São Luís. O “poetário” (uma mistura de poeta e estagiário, como ele se definia) animava as tardes, quando, em meio ao trabalho, ficávamos fuçando a memória atrás de poemas e sambas antigos, dizendo-os em voz alta. Dele, um poema inédito, abaixo. O garoto é bom! E ponto.

 

Seus dois seios são duas serras

e cada cume tem uma teta

donde o curso de leite escorrega

pr’uma virgem mata preta

 

seus dois seios são dois alvos

e cada cimo tem uma roda

de centro róseo, de bordos alvos

cujo relevo me alegra a foda

 

seus dois seios inconhos

eu dormindo, mordo ambos

achando que são jambos

 

e acordando, lambo os

seus dois seios risonhos

pensando que são sonhos

 

Frederico Luiz

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (com Gisa Franco, aos sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM). Coautor de "Chorografia do Maranhão" (Pitomba!, 2018) e autor de "Penúltima página: Cultura no Vias de Fato" (Passagens, 2020). Antifascista.

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