Por onde anda André Takeda?

Não posso negar que quando a vi pela primeira vez, tenha pensado em sexo. Era inevitável, e isso acontece todas as vezes em que olho uma mulher bonita. E pela beleza dessa mulher em especial, devo ter pensado em sexo umas duas, três, incontáveis vezes.

Apesar dos vestidos totalmente folgados e relaxados, num total hippie way of life, dava pra ver – e eu já me imaginava sentindo – a exuberância de seus traços sob as roupas que a cobriam.

Eu almoçava todos os dias na pousada onde ela se hospeda, e tendo feito amizade com a balconista que me atendia, tentei descobrir algo sobre aquela figura tão esplêndida, rara, única. Seu nome, origem, e otras cositas que nem me interessavam tanto assim; mas tudo muito superficial, nada do que descobri era realmente interessante, a não ser o fato dela ter uma relação muito estreita com a cultura local, sendo estrangeira – assustei-me ao descobrir esse fato: poderia muito bem passar por uma brasileira, por sua beleza e pela perfeição com que fala o português.

Um dia, após o almoço, anotei meu telefone num guardanapo e passei à balconista: “Entregue à ela. Peça que me ligue.” Total pretensão minha.

Passei uma semana almoçando e enchendo a paciência da garota do balcão, perguntando se ela havia entregue, e por que a minha musa ainda não havia me ligado. “Ela ficou imaginando, pensando em quem seria você…”, contou-me.

Dias depois, estava tomando umas cervejas com uns amigos na calçada de um bar próximo à pousada, e encorajado por elas – as cervejas – disse a mim mesmo, vendo-a passar: “Na volta eu te paro…”

Uns amigos que já sabiam da minha fascinação por aquele belo corpo aporrinharam-me, e eu não percebi quando Loreto – era como a chamavam, pelo sobrenome – passou; de repente, um dos companheiros me dá um tapa amistoso no ombro e me diz: “Viste quem passou?” Corri até a esquina, e vendo-a já longe, com seu andar que a mim parecia o de uma miss – a partir daquele dia referia-me a ela de mim para mim como Miss Loreto – corri mais um pouco até poder tornar um grito meu audível: “Loreto! Loreto!”

Ela virou-se, olhando para mim assustada e perguntando: “Eu te conheço?” “Não, mas eu te conheço. Não se preocupe.” Apresentei-me, cretinamente, tentando disfarçar o hálito, sabendo que ela era adepta ao natural, disse por que estava fazendo aquilo – apenas omiti as ereções.

Mesmo tendo ela me advertido que estava toda suada, dei-lhe dois beijos em seu rosto, e o sal me serviu de tira-gosto.

O que que o texto acima tem a ver com o título do post? Seguinte: em abril de 2002 esse texto (Miss Loreto é o título!) foi selecionado para integrar a (salvo engano) 15ª edição da ótima (e infelizmente extinta) revista eletrônica TXTMagazine, editada pelo autor do Clube dos Corações Solitários, que se propunha a revelar novos talentos que escrevem contos. Takeda, “quede” tu?

Nota (com certo atraso): o poema “A calcinha de Cassinha”, postado aqui recentemente (leia aí embaixo!) é da mesma safra desse conto, tendo sido, portanto, cometido entre o fim de 2001 e o início de 2002.

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